Arquivo de julho, 2012

Muito se tem falado sobre a mudança de cultura nas empresas. Aqui mesmo no Blog, tenho alguns posts, observo que tem nos  tem faltado o arcabouço teorico sobre o tema, o que reduz  a discussão a mera repetição, ou o que e pior, o fracasso ou erros nos programas de gestão. Para ajudar a entender melhor a problematica, veja no link o trabalho do Prof. e Pesquisador João Candido. Conheci o João em 1979, foi meu professor no curso da Fundação Ezequiel Dias /Fundacentro para Supervisor de Segurança do Trabalho. Ja naquela epoca o Prof. chamou a minha atenção pelo seu posicionamento firme e inovador. Boa leitura.

Aspectosculturaisinfluenciam

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Declinio do Fator Trabalho

Publicado: julho 30, 2012 em Cotidiano
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A antiga economia política, da qual Carlos Gide foi um dos expoentes, ensinava que a produção resulta de três fatores: natureza, capital, e trabalho. Por natureza entendia-se o solo cultivado, o meio material, sólido, líquido e gasoso; o capital seria agente de segunda categoria, por se tratar de resultado da combinação natureza/trabalho.
 
Ao trabalho, porém, era concedida posição de autêntico agente produtivo, eis que ao homem pertencem a iniciativa, inteligência e engenhosidade capazes de planejar e levar a cabo operações econômicas.
 
A crença na supremacia do trabalho humano inspirou a formulação de teorias destinadas a estudar como lhe retribuir de maneira justa, protegendo a mão de obra contra a espoliação do regime capitalista.
 
No Brasil coube a Getúlio Vargas, chefe absoluto de governo durante o Estado Novo (1937/1945), a tarefa de construir a legislação social. Como ponto mais alto da obra pessoal, a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, decretada em 1943, converteu-se no símbolo vivo da era Vargas, sólido o bastante para mantê-lo em pé, após 70 anos.
 
O século XX presenciou, porém, vertiginoso aumento da população mundial, duas grandes guerras, e inimaginável desenvolvimento tecnológico. Observou-se, a partir da segunda metade, constante substituição do sistema mecânico por inéditos métodos de fabricação, que privilegiam a busca de alta produtividade, melhor qualidade, e redução de custos, a fim de satisfazer as exigências de novos mercados.
 
Paralelamente ao crescimento populacional, e aumento do poder aquisitivo das camadas populares, hipermodernas tecnologias surgiram e foram incorporadas, para cobrar permanente requalificação dos trabalhadores e causar o desaparecimento de velhas profissões, exterminando milhões de postos de trabalho.
 
Detroit, capital mundial da indústria automobilística, tomada, durante décadas, por modelo de desenvolvimento gerador de empregos, transformara-se em cidade vazia. Nos últimos anos do século passado constatou-se que o homem fora convertido em elemento secundário.
 
Grandes indústrias provaram ser possível produzir mais e melhor, com o predomínio das máquinas, e redução maciça de mão de obra. Vasta literatura acompanhou o fatídico processo de substituição do trabalho humano.
 
Sobre o tema surgiram livros como “O Horror Econômico”, de Viviane Forrester; “Europa”, de Zygmunt Bauman; “A Era da Incerteza”, de J.K. Galbraith; “Administração em Tempos Turbulentos”, de Peter F. Drucker; “Made in Japan”, de Akio Morita; “O Fim dos Empregos”, de Jeremy Rifkin; “Arando o Mar”, de Michael Fairbanks & Stace Lindsay; “O Mundo é Plano”, de Thomas L. Friedman; “A Sociedade Pós Industrial”, de Domenico De Masi.
 
De fator fundamental de produção, o homem transformava-se em alvo fácil, no implacável duelo com avançadas tecnologias, a tal ponto que, segundo Zygmunt Bauman, convertera-se em personagem redundante, para o qual não haverá quantidade suficiente de postos de trabalho, pensamento do qual participa Domenico De Mais, com a proposta da sociedade ociosa.
 
Ainda segundo modernos planejadores, o sucesso econômico tende a depender agora, não de três, mas de cinco agentes:
 
1)      mão de obra reduzida, qualificada, e bem remunerada;
 
2)      métodos racionais;
 
3)      máquinas de alta tecnologia;
 
4)      meio ambiente protegido;
 
5) matéria prima abundante. A estes cinco, acrescento, por conta própria, forte mercado consumidor, e algo que inexiste entre nós: segurança jurídica. Dentro de tal cenário não se encaixa a legislação trabalhista arcaica, responsável principal pela gigantesca quantidade de conflitos judiciais, caracterizados pelo custo elevado, morosidade, e imprevisibilidade das sentenças.
 
Já não serve ao trabalhador a belicosidade de entidades sindicais, comprometidas com doutrinas extremistas. Diante de empresas, com dificuldades para enfrentar a concorrência de pragmáticos fabricantes estrangeiros, ou dos nacionais que buscaram segurança no exterior, a greve, piquetes violentos, e intermináveis conflitos judiciais, são prejudiciais e deveriam ceder espaço às negociações individuais ou coletivas, confiáveis e em bases compatíveis à realidade. Altas taxas de inadimplência, desindustrialização, incapacidade de concorrer com produtos importados, desemprego em alta: os primeiros sintomas do que poderá em breve suceder.
 
(*) é advogado; foi ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho.
Fonte: Diário do Comércio e Indústria, por Almir Pazzianotto Pinto (*), 30.07.2012
 

 

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 3817/12, do deputado Francisco Floriano (PR-RJ), que torna obrigatória a avaliação anual de saúde para motoristas de ônibus e de cooperativas de vans e táxis.
 
Os exames serão os mesmos da avaliação admissional de um novo funcionário, o que inclui entrevista com médico, medição dos batimentos cardíacos e da pressão arterial e ainda a realização de exames complementares de sangue ou do coração, por exemplo.
 
Conforme o texto, a avaliação será condição para participação das empresas em licitações de novas linhas, concessões ou permissões para prestação de serviços.
 
“Muitos dos acidentes que ocorrem nas estradas brasileiras têm como causa principal as más condições de saúde dos motoristas. Eles cumprem jornadas longas, em condições de higiene quase sempre precárias, com alimentação inadequada. São mal remunerados e não realizam exames periódicos”, afirma Francisco Floriano.
 
Ele observa que, além disso, o motorista está exposto a ruídos, gases tóxicos e trânsito intenso, que também prejudicam a saúde.
 
Tramitação – O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: Agência Câmara de Notícias, por Noéli Nobre, 30.07.2012

 

 

O Brasil registrou avanços significativos em diversas áreas do trabalho decente nos anos recentes, mas ainda persistem inúmeros desafios. É o que constata o relatório “Perfil do Trabalho Decente no Brasil – Um Olhar sobre as Unidades da Federação”, que está sendo divulgado pelo Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil.
 
Os avanços se verificaram nas dez dimensões do trabalho decente analisadas pelo relatório: Oportunidades de Emprego; Rendimentos Adequados e Trabalho Produtivo; Jornada de Trabalho Decente; Combinação entre Trabalho, Vida Pessoal e Vida Familiar; Trabalho a ser Abolido; Estabilidade e Segurança no Trabalho; Igualdade de Oportunidades e de Tratamento no Emprego; Ambiente de Trabalho Seguro; Seguridade Social e Diálogo Social e Representação de Trabalhadores e Empregadores.).
 
Vários deles foram mais acentuados nas regiões mais pobres do país e em grupos em situação de maior desvantagem no mercado de trabalho, como as mulheres e os negros. Como resultado, diminuíram as desigualdades (de gênero, raça e entre as regiões do país), ainda que, em muitos indicadores, o nível dessa desigualdade ainda seja bastante elevado.
 
Essas são algumas das conclusões do estudo, que, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo Demográfico de 2010 e de outros registros administrativos e estatísticas oficiais, apresenta informações inéditas sobre as 27 Unidades da Federação do país
 
(*) Veja integra da matéria.
 
(**) Veja Relatório : “Perfil do Trabalho Decente no Brasil – Um Olhar sobre as Unidades da Federação”
Fonte: Organização Internacional do Trabalho, 27.07.2012
 
Na década de 70 os índices de acidentes de trabalho no Brasil totalizavam 1,7 milhão ao ano. As empresas não possuíam um serviço específico para gestão da prevenção de acidentes, o que desencadeou a necessidade da criação de um órgão que se preocupasse com a saúde e o bem-estar do funcionário a fim de lhe oferecer um ambiente com melhores condições de trabalho.
 
O desejo de instituir normas que favorecessem a prevenção de acidentes e proteção do trabalhador levou o então Ministro do Trabalho, Júlio Barata, a publicar no dia 27 de julho de 1974 as Portarias 3.236 e 3.237, regularizando o artigo 164 da CLT. Com essas medidas, ficou determinado que todas as empresas com mais de 100 funcionários tivessem um Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).
 
O serviço, que completa 40 anos hoje, foi o responsável pela instituição da data conhecida como “Dia Nacional de Preveção de Acidentes de Trabalho”. O SESMT uniu engenheiros e técnicos de Segurança do Trabalho, médicos e enfermeiros do Trabalho e auxiliares de enfermagem para atuarem diretamente nas empresas.
 
O esforço conjunto desses profissionais contribuiu para o cumprimento das normas regulamentadoras, um importante passo para organizar as atividades no ambiente de trabalho e reduzir as estatísticas alarmantes.
 
Para o vice-presidente da Anamt (Associação Nacional de Medicina do Trabalho) e médico do Trabalho, Mario Bonciani, o modelo técnico/profissional representado pelo SESMT, representa um dos principais pilares de sustentação do sistema atual de Segurança e Saúde no Trabalho do país. Este modelo contribuiu significativamente para a redução dos riscos clássicos presentes nos ambientes de trabalho (mecânicos, físicos, químicos e biológicos).
 
“Os avanços nas ações técnicas de prevenção dos acidentes e doenças foram também os principais responsáveis pela criação e o desenvolvimento de novas especializações na qualificação profissional de médicos, enfermeiros, engenheiros e técnicos de segurança e enfermagem”, destaca.
 
Evolução
 
O relatório “Perfil do Trabalho Decente no Brasil – Um Olhar sobre as Unidades da Federação” divulgado recentemente pela Organização Internacional do Trabalho, aponta uma queda de 7,2% nos acidentes de trabalho no país em um período de dois anos. Em 2008 o número chegava a 756 mil acidentes em um ano, enquanto em 2010 caiu para 701 mil. 
 
No entanto, como mostra o relatório, a mortalidade continua elevada em alguns estados. Mato Grosso apresentou o maior número de óbitos, registrando 17,7 a cada 100 mil vínculos empregatícios; enquanto o Distrito Federal e o Rio de Janeiro registraram as menores taxas, 4,6 por 100 mil vínculos. 
 
Para a presidente da SOBES (Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança do Trabalho), Marlise de Matosinhos Vasconcellos, os números indicam que serviço ajudou muito na redução de acidentes, mas ainda possui algumas limitações. “Como o SESMT atua somente em médias e grandes empresas, as pequenas empresas ficam à margem, embora seja onde ocorre o maior número de acidentes.
 
A situação é ainda pior no serviço público onde não há obrigatoriedade de constituição dos SESMTs. Essa é uma realidade que tem que ser vista pelos nossos governantes”, ressalta.
 
Bonciani destaca ainda que para que o SESMT dê um novo salto qualitativo é necessário ampliar a participação social. “O modelo deverá criar condições para o efetivo acompanhamento das representações da sociedade, especialmente a dos trabalhadores, o que proporcionará que a ação técnica seja revestida de maior transparência e confiabilidade, evitando a contaminação por interesses específicos de governo, empregadores ou de representantes dos empregados”, assinala.
 
Futuro
 
A evolução científica, tecnológica e as mudanças ocorridas no processo de produção nos últimos anos, têm dado margem a novas discussões sobre políticas diferenciadas de controle de risco e implantação de projetos de prevenção. “Para que de fato essas ações obtenham êxito é necessário que haja união das empresas do mesmo setor. A atuação individual seja sobre uma empresa ou estabelecimento, tem caráter limitado”, argumenta o vice-presidente da Anamt”.
 
A enfermeira do Trabalho e diretora da Anent (Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho) Ivone Martini de Oliveira, garante que o modelo prevencionista de melhoria contínua, antecipação, controle e minimização dos riscos, implantado pelo SESMT, tornou-se indispensável. Para ela “aqueles que se opõem ao sistema não pedem o seu fim, mas sim o controle social sobre ele para evitar que seus componentes sejam pressionados e manipulados”, declara.
Fonte: Redação Revista Proteção, 27.07.2012

por REINALDO JOSÉ LOPES

 
Especialistas em marketing e consumidores têm um bocado a aprender com o psicólogo evolucionista Geoffrey Miller, autor de “Darwin Vai às Compras”. Daí a gostar do que o cientista tem a dizer vai uma bela distância.Isso porque a obra, no fundo, é uma bem-humorada sátira da moderna sociedade de consumo, embora seja um tipo nada convencional de sátira –usa um dos mais sólidos fundamentos da ciência, a teoria da evolução, para mostrar como a gana de consumir é meio ridícula, além de contraproducente.Miller faz isso usando um método já consagrado pelos outros psicólogos que aplicam as ideias de Darwin à compreensão do comportamento humano.

A psicologia evolucionista tem um ponto de partida difícil de questionar: o de que os seres humanos, tal e qual outros animais, tiveram sua mente e suas propensões de comportamento moldadas pela principal moeda de troca da evolução, o sucesso reprodutivo.

Trocando em miúdos: boa parte do que parecem esquisitices da nossa espécie não passam de estratégias herdadas de nossos ancestrais para apregoar boa qualidade genética e, assim, obter parceiros e gerar descendentes.

“Apregoar” é a palavra-chave. Em quase todas as espécies animais já estudadas, essa sinalização, para que seja aceita por parceiros e rivais, precisa implicar um custo -em tese, quanto mais custoso o sinal de qualidade, mais confiável ele é.

CAUDA DE PAVÃO

Miller aplica essa ideia ao chamado consumo conspícuo (visível) -produtos que custam uma fábula, mas são famosos por sua precisão (iPhones), beleza (quadros de Picasso) ou potência (SUVs).

Em síntese, esses produtos seriam apenas versões não biológicas das caudas dos pavões ou das galhadas dos cervos. Servem para alardear características importantes para atrair parceiros de alto nível: disponibilidade de recursos, bom gosto, inteligência e até consciência social (ninguém adere a marcas chiques de “consumo sustentável” só porque é bonzinho, mas também pela necessidade de se mostrar bonzinho e -digamos- atrair gatinhas de pendores ambientalistas).

A sacada de Miller é justamente mostrar como os vários aspectos do consumismo funcionam como sinalizadores dos vários tipos de qualidades evolutivas.

Agora, a má notícia: para o pesquisador, apesar de todo o gasto com esses sinais, eles são indicadores que, na busca por parceiros, raramente ganham dos atributos naturais que a evolução nos lega de nascença: inteligência, beleza, sensibilidade e bom humor.

Valeria a pena, segundo ele, direcionar esforços pessoais e da sociedade para deixar de lado o consumo conspícuo, taxando a obsolescência programada e o desperdício e adotando estratégias para impressionar os outros gastando pouco ou nada -fabricando seus próprios móveis ou comprando roupa boa em brechós, digamos.

Não é exatamente a mensagem que os departamentos de marketing estão doidos para ouvir.

*

DARWIN VAI ÀS COMPRAS: SEXO, EVOLUÇÃO E CONSUMO
AUTOR Geoffrey Miller
EDITORA Best Business
TRADUÇÃO Elena Gaidano
QUANTO R$ 49,90 (458 págs.)
AVALIAÇÃO Ótimo

Fonte: Folha Online – 21/07/2012

Mapa Mundi

Publicado: julho 25, 2012 em Cotidiano
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Veja que fantastico mapa mundi  do IBGE.Voce vai encontrar dados economicos, indicadores sociais, meio ambiente, objetivos do milenio e muito mais. Vale a pena conferir  

http://ibge.gov.br/paisesat/main.php

Exame de final de curso para os Medicos

Publicado: julho 25, 2012 em Cotidiano
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24 de julho de 2012 12h21 atualizado às 14h56

O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) divulgou durante entrevista coletiva nesta terça-feira, 24 de julho, que a partir deste ano, para obter o registro profissional, egressos dos cursos de medicina terão de apresentar declaração de realização do Exame do Cremesp. No entanto, o registro não será condicionado ao resultado, mas à participação na prova.

De acordo com o Cremesp, a iniciativa de tornar obrigatória a participação em um exame de final de curso foi tomada em decorrência da queda acentuada na qualidade do ensino médico. Exames opcionais realizados pelo conselho nos últimos sete anos revelaram que quase metade dos graduandos saem das escolas despreparados, sem as mínimas condições de exercer a medicina.

Desde 2005, o Cremesp realiza uma prova opcional para as escolas médicas paulistas. Quase metade dos estudantes, prestes a entrar no mercado de trabalho, se revelou incapaz de exercer a profissão. Dos 4.821 estudantes que participaram do Exame do Cremesp entre 2005 e 2011, 46,7% foram reprovados. “Na soma dos vários anos, pouco mais de 15% dos formandos fizeram o exame, número representativo, porém insuficiente, para uma avaliação mais aprofundada”, avalia o conselho.

Segundo o Cremesp, a obrigatoriedade do exame tem como objetivo avançar o debate sobre a criação do Exame Nacional de Habilitação como requisito para o exercício legal da medicina no Brasil, a exemplo do Exame de Ordem da OAB, que avalia os estudantes de direito e a aprovação é requisito necessário para a inscrição como advogado

O exame deste ano está previsto para dia 11 de novembro e contará com o mesmo índice de dificuldade, em nove áreas básicas do conhecimento médico. A Resolução nº 239 vale para todos os formandos que ainda não possuem o registro no conselho.

 

 

O Banco Santander foi condenado a reintegrar uma sub-gerente portadora de deficiência. À época da dispensa, a empregada apresentava problemas de saúde, situação reconhecida pelo INSS, que lhe deferiu o benefício previdenciário de auxílio-doença decorrente de acidente de trabalho.
 
Ao ter seu pedido de reintegração negado em 1ª instância, a autora recorreu da decisão proferida pela 31ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Ela pleiteou a nulidade da sua demissão também com fundamento no artigo 93, caput, da Lei Nº 8.213/91, alegando que o empregador não comprovou a contratação de outro empregado portador de deficiência física ou reabilitado.
 
Essa lei determina que as empresas com 100 ou mais empregados estão obrigadas a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, e que a dispensa de trabalhador reabilitado ou de deficiente só pode ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante.
 
O banco negou a doença no ato da dispensa e afirmou que contratou outro deficiente para a vaga, pagando à autora as verbas resilitórias, FGTS e seguro-desemprego. Afirmou, também, que não existe prova nos autos de que, na data da dispensa, a autora fosse portadora de qualquer incapacidade para o trabalho, inexistindo nexo de causalidade entre as funções desempenhadas pela trabalhadora e a possível existência de doença profissional.
 
Entretanto, em perícia médica realizada no processo, o perito afirmou que a reclamante é portadora de lesões crônicas degenerativas, comprometendo coluna vertebral e membros superiores, com sequelas na perna esquerda, acarretando claudicação da marcha e sobrecarga de coluna lombar.
 
“Com a concessão do benefício previdenciário, onde se constatou a doença, impõe-se a declaração de nulidade da rescisão”, afirmou o desembargador José Nascimento Araujo Netto, relator do recurso ordinário.
 
Segundo o magistrado, o Santander afrontou o disposto na Lei nº 8.213/91, uma vez que a dispensa somente poderá ocorrer após a contratação de substituto em condições semelhantes e não 11 meses após a rescisão, já que a autora foi dispensada em 31/1/2008 e a nova contratação só ocorreu em 4/11/2008.
 
Ainda que a Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT – tenha sido emitida após a dispensa, o desembargador concluiu que a ocorrência do acidente de trabalho está confirmada nos autos, pois a autora sofreu acidente durante o contrato de trabalho e lhe foi reconhecido o direito ao auxílio-doença acidentário pelo órgão previdenciário, revelando, assim, a ilegalidade do ato praticado pelo banco.
 
Assim, por unanimidade, a 1ª Turma do TRT/RJ reconheceu o direito da autora à reintegração imediata, na função ocupada quando da rescisão. Nas decisões proferidas pela Justiça do Trabalho são admissíveis os recursos enumerados no art. 893 da CLT.
 
( RO – 0068300-88.2008.5.01.0031 )
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 1ª Região Rio de Janeiro, 24.07.2012

A reforma da CLT

Publicado: julho 25, 2012 em Bad news and good news
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Enquanto o governo se prepara para mandar para o Congresso um projeto de lei para flexibilizar a legislação trabalhista, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) continua promovendo audiências públicas para dar publicidade aos casos mais polêmicos em julgamento.
 
Em setembro, a Corte suspenderá os julgamentos por uma semana, para adequar sua jurisprudência à evolução do mercado de trabalho, aos avanços das técnicas de produção e à diversificação do setor de serviços.
 
Com essas iniciativas, os dois Poderes estão dando sequência a uma série de medidas que tomaram entre o final de 2011 e início de 2012 para modernizar a anacrônica Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que foi editada há setenta anos pelo Estado Novo varguista, quando eram outras as condições sociais, econômicas e políticas do País.
 
Há oito meses, por exemplo, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.551, que modificou o artigo 6.º da CLT, para introduzir o teletrabalho – o trabalho realizado a distância e no domicílio do trabalhador, por meio da internet e das novas tecnologias de comunicação, tais como computadores pessoais, tablets e smartphones.
 
Aprovada pelo Congresso no final de 2011, essa lei considera que, do ponto de vista da relação de emprego, o trabalho realizado pelo trabalhador em casa não se distingue do trabalho por ele realizado no estabelecimento do empregador.
 
A Lei 12.551 determina que os trabalhadores têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações nos dois tipos de trabalho. Para dar à iniciativa privada os parâmetros de que precisa para interpretar a nova redação do artigo 6.º da CLT, em março o TST baixou resolução autorizando o teletrabalho nos gabinetes dos ministros.
 
Agora, enquanto a Casa Civil dá os últimos retoques no projeto de flexibilização da legislação trabalhista, o presidente da Corte, João Oreste Dalazen, converteu a reforma da CLT no principal tema de seus discursos e entrevistas.
 
“A CLT cumpriu um papel importante no período em que foi editada, na transposição de uma sociedade agrícola e escravocrata para uma sociedade industrial. Mas hoje deixa a desejar.
 
Primeiro, porque é uma regulação rígida, que engessa toda relação entre patrão e empregado. Segundo, porque é excessivamente detalhista e confusa, o que gera insegurança jurídica. E, terceiro, porque está cheia de lacunas”, disse Dalazen ao jornal O Globo.
 
Raras vezes um presidente da última instância da Justiça do Trabalho foi tão enfático em suas críticas ao anacronismo da legislação que seus colegas têm de aplicar e ao custo que isso tem causado aos contribuintes.
 
Por causa do imobilismo do Estado brasileiro nas últimas décadas, em matéria de renovação legislativa, a máquina governamental se converteu em campeã de processos trabalhistas, afirmou o ministro.
 
“O que se vê é esse imobilismo voltar-se contra o próprio Estado, sob a forma de milhões de novas ações, que só oneram a máquina pública. À medida que são propostas novas ações, é preciso aumentar o número de cargos de juízes”.
 
Dos 2,1 milhões de novas ações que as varas trabalhistas receberam para julgar, em 2011, uma parcela expressiva tinha o poder público como réu. “Há uma resistência injustificada de certos devedores ao cumprimento das sentenças trabalhistas definitivas, em especial de algumas estatais, principalmente a Petrobrás.
 
A empresa é uma das que mais resistem ao pagamento de dívidas trabalhistas, além de ser uma das que mais interpõem recursos judiciais. Há 660 execuções trabalhistas da estatal que se iniciaram em 1980 e ainda tramitam na Justiça.
 
Por que uma empresa do porte da Petrobrás mantém essa postura de exacerbado amor à litigiosidade? Isso vem em detrimento da própria União, que suporta todos os encargos de custear uma máquina pesada, como a da Justiça do Trabalho”, observou o ministro.
 
A reforma trabalhista não significa pôr abaixo toda a legislação, mas adaptá-la às extraordinárias mudanças sofridas pela economia, nas últimas décadas. É esse o denominador comum das iniciativas reformistas do Executivo e da Justiça, em matéria de direito do trabalho.
Fonte: O Estado de São Paulo, 23.07.2012