Samarco: Plano de emergencia feito em 2009 não saiu do papel

Publicado: novembro 28, 2015 em Segurança do Trabalho

Divulgação/Agência Brasil
Data: 26/11/2015 / Fonte: G1

Mariana/MG – Um plano de ação e emergência, elaborado em 2009, nunca foi posto em prática pela Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. A informação, confirmada pela consultoria Rescue Training International (RTI) nesta quarta-feira (25), foi noticiada pelo jornal Estado de Minas nesta terça-feira (24).

De acordo com o diretor técnico da RTI, Randal Foncesa, a empresa fez um plano consistente com a realidade da mineradora e as inúmeras atividades que ela desenvolve. Segundo ele, o projeto não era apenas relacionado às barragens.

No último dia 5, a barragem de Fundão se rompeu em Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana, despejando mais de 35 milhões de m³ de rejeitos na região. A lama destruiu Bento Rodrigues e afetou Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras e as cidades de Barra Longa e Rio Doce.

Os rejeitos contaminaram o Rio Doce e atingiram dezenas de cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. Até o momento, oito mortes foram confirmadas. Outros quatro corpos aguardam identificação e onze pessoas seguem desaparecidas.

Apesar de a RTI ter sido contratada, o plano elaborado não foi implementado pela Samarco, que optou por outro mais barato, de acordo com Fonseca. Ele destacou que, na época, o mercado passava por um momento ruim por conta da crise.

O plano feito pela consultoria previa os seguintes pontos: formação de um comitê técnico de profissionais de geotécnica que se reuniria mensalmente para avaliar a situação das barragens; inspeções diárias das estruturas por técnicos; acompanhamento computacional constante para apontar a necessidade de construir ou reformar diques, muros, piscinas de contenção e paredes de desvios; análise das características dos moradores que viviam a jusante das barragens; simulações com a população para treiná-la em caso de tragédia; instalação de sistema de alarme para alertar a população sobre o risco iminente de rompimento de alguma barragem.

Segundo o diretor técnico, ele não saberia estipular valores para a implantação do projeto. Entretanto, conforme Fonseca, o montante pago seria irrisório em comparação aos gastos da empresa após o desastre ambiental.
Para o diretor técnico da RTI não se pode demonizar a Samarco pelo rompimento da barragem. Ele argumenta que o governo faz exigências pífias às mineradoras.

Desde o rompimento da barragem, a mineradora tem afirmado que tem um plano de emergência aprovado por autoridades e que tudo que estava previsto foi cumprido. Apesar disso, a Samarco também reconheceu, por exemplo, que não tinha um sistema de sirenes para alertar moradores em situações como a que ocorreu no início do mês. A empresa alega que algumas pessoas foram avisadas por telefone.

De acordo com o promotor de Meio Ambiente Mauro Ellovitch, o plano de ações emergenciais também não previa qualquer tipo de treinamento externo à Samarco. “Tendo a comunidade de Bento Rodrigues tão próxima, tão afastada da Defesa Civil, é uma questão de grande preocupação e indica talvez uma falha do plano de ações emergenciais”, afirmou.

A barragem Fundão, que se rompeu primeiro, tinha licença de operação de 2008 a 2012. A autorização foi renovada e valeria até 2019. Santarém, a segunda a se romper, estava com a licença – que foi concedida em 2009 – vencida desde maio de 2013. O pedido de renovação segue em análise. A Mina Germano, que engloba a maior das barragens, tinha licença de operação valendo entre 2009 e 2013 e também aguarda a avaliação da renovação.

O G1 entrou em contato com a Samarco nesta quarta e aguarda um posicionamento.

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