Arquivo de fevereiro, 2016

 

Todas as graças da mente e do coração se escapam quando o propósito não é firme.

William Shakespeare

Lembro que trabalhei em um empresa em que nas sexta-feiras todos do setor tinham que vir vestidos com uma cor específica ou fantasiado. Era uma maneira de tornar o trabalho mais divertido. Eu achava aquilo um grande porre, mas o RH achava que isso nos motivaria a trabalhar melhor.

Eu ficava vendo aquele monte de gente fazendo um esforço danado para fingir que o trabalho era legal enquanto a empresa pensava em novas gincanas bobas para nos distrair e não pensar que estávamos em busca de metas. A empresa fingia que funcionava, e a gente fingia que trabalhava bem.

A nossa geração desanimou com o trabalho

Talvez seja por isso que a nossa geração anda desanimada demais com o trabalho. As empresas não conversam a mesma língua dos seus funcionários. Fala-se tanto de propósito, de engajamento no trabalho, de “fazer parte de um time”, “vestir a camisa da empresa”, mas esse papo pode ter funcionado por um tempo com outras gerações. A nossa, queira eles ou não, é um pouco mais inconformada com as estruturas rígidas dentro das empresas. E não é apenas rebelião juvenil não, é que nós não temos aceitado desperdiçar a vida sem sentido.

É verdade que nós temos problemas em aceitar com facilidade os processos e programas que são colocados em prática nas empresas que atuamos. Há sempre quem se mostre insatisfeito, e isso faz com que não vemos realmente um futuro longo dentro de uma mesma empresa.

Creio que isso ocorre porque gostamos de ser desafiados ao novo sempre, mas os departamentos de RH confundiram “novos desafios” com “metas abusivas” e isso acaba mais irritando que contribuindo.

Motivação pessoal nem sempre tem a ver com a empresa que trabalhamos.

No entanto, vejo que os problemas não estão somente nos gestores, afinal,a motivação também é parte de cada pessoa. Uma pessoa que perdeu o propósito não se ajoelha nem diante de pacotes de benefícios atraentes, salários acima da média ou programas de carreiras. Uma pessoa motivada é uma pessoa que sabe para onde vai.

Se alguém passa a vida buscando somente fazer coisas que gosta não estará satisfeita nunca e constantemente é conduzida ao mal-estar. No entanto, se conseguimos fazer uma tarefa com propósito já conseguimos enxerga um pouco de significado em trabalhar. Estar em uma meta míope nos deixa confusos. Colocar somente o seu próprio bem estar antes de aceitar um desafio acaba nos empurrando para uma direção de más decisões.

Propósito e valores tem valido mais que dinheiro

O propósito tem quase sempre a ver com os valores pessoais. Acredite, nem todo mundo acredita que o dinheiro é a maior recompensa. Por isso, as pessoas gostam mais de trabalhar em um lugar que tem a ver com o que ela acredita do que em um lugar que quer obrigá-la a acreditar em algo.

Cada vez mais buscamos significado em algo que fazemos, ainda mais se o que fazemos ocupa boa parte do nosso dia. As empresas se esqueceram de quesomos movidos por uma causa pessoal e pelo valor, até no local de trabalho. Fica óbvio que teremos melhor motivação caso a causa da empresa seja alinhada de seus funcionários e a deles a da empresa.

Nós não queremos apenas um emprego, queremos um propósito.
Podemos ainda ter uma carteira assinada, mas se perdermos o mais importante, devemos nos perguntar:

1. Afinal, o que é importante para mim neste momento?

O que gosta hoje, pode mudar amanhã. Sempre se pergunte isso.

2. O que fará sair da cama valer a pena?

No que este trabalho ajuda na sua vida e na vida das pessoas?

3. Como eu gostaria de ser remunerado para isso?”

Sem deixar de ser realista, você precisa de quanto para viver com que precisa?

O que é o propósito?

O propósito é o que nos faz tomar as decisões, influenciam em nosso comportamentos, dirigem o estilo de vida que levamos, moldam nossas ações e reações. Por isso, quando uma empresa divide com a gente seus propósitos, logo trabalhamos mais motivados. A sensação de que nosso trabalho não é em vão é que nos faz acordar.

Claro, esse alinhamento ainda é um caminho longo a ser trilhado, mas acredite, será necessário cada dia mais empresas e funcionários andarem nessa direção. Temos que reinventar um novo modelo de trabalho. E, é urgente.

Fonte: LinkedIn, por Murillo Leal, 03.02.2016

 

Dúvida: Meu pai sofreu acidente de trabalho e veio a falecer. Tenho direito a receber indenização?

A morte decorrente do acidente de trabalho sofrido por um trabalhador permite que seus herdeiros reivindiquem dois tipos de indenização contra o responsável pelo acidente: uma indenização por dano material e outra por dano moral.

A indenização por dano material significa a restituição de todas as despesas tidas em virtude do falecimento, tais como despesas com o funeral ou mesmo gastos médicos. Além disso, também pode compor esse tipo de indenização uma quantia referente a uma porcentagem da remuneração que o trabalhador falecido receberia até a expectativa de vida média da população brasileira ou até atingir a idade para sua aposentadoria.

A indenização por dano moral, por sua vez, pode ser pleiteada por aquelas pessoas que pertencem à esfera mais íntima das relações pessoais do trabalhador falecido, tal como seus filhos. Essa espécie de indenização recebe o nome de “dano moral reflexo” ou “por ricochete”, uma vez que se trata de um dano de cunho moral sofrido não pela vítima direta da ofensa, mas por pessoas próximas a ela.

*Resposta de Marcelo Mascaro Nascimento.

Fonte: Exame.com, por Camila Pati, 11.02.2016