Arquivo de setembro, 2017

Impressionante as imagens reais e depoimentos sobre o desastre de Chernobyl, milhares de vidas foram ceifadas para que o maior acidente nuclear da historia fosse pelo menos contido. Aos trabalhadores e militares anônimos que deram suas vidas a nossa homenagem.

 

O acidente de Chernobyl

Publicado: setembro 23, 2017 em Segurança do Trabalho
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Conheça em detalhes o vídeo Hora Zero sobre o maior acidente nuclear do mundo o de Chernobyl.

Ciclo do Uranio

Publicado: setembro 23, 2017 em Segurança do Trabalho
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Veja a excelente animação sobre o ciclo do Uranio produzido pela Industria Nuclear do Brasil.

Data: 30/08/2017 / Fonte: Ministério do Trabalho

Brasília/DF – Piloto, comissário de voo e mecânico, denominados aeronautas, terão novas regras jurídicas a seguir. É que foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Lei 13.475 de 29 de agosto de 2017, que entra em vigor no dia 27 de novembro.

A nova lei vai impactar quase 37 mil profissionais da área, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2015. Uma das inovações jurídicas trata da criação de gerenciamento de risco de fadiga desses profissionais. Reduz em cinco horas a escala mensal de trabalho para aviões a jato (de 85 para 80) e turboélice (de 90 para 85). Já as escalas de aviões convencionais (100 horas) e helicópteros (90 horas) foram mantidas.

“Com isso, pilotos e comissários poderão trabalhar em melhores condições e, consequentemente, garantir voos mais seguros para todos”, explica o presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Rodrigo Spader.

A lei inova nas questões de contratos de trabalhos, escalas de serviço, acomodações para descanso a bordo de aeronaves, folgas periódicas, remuneração, alimentação, assistência médica, férias e limites tanto para voos e pousos quanto para a jornada de trabalho.

Estabelece que o exercício das profissões é privativo de brasileiros natos ou naturalizados. E as empresas brasileiras em prestação de serviço aéreo internacional poderão utilizar comissários de voo estrangeiros, desde que o número não exceda a um terço dos comissários a bordo da mesma aeronave.

De acordo com o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, a lei é um esforço de todo o setor aéreo e do governo federal para oferecer à população segurança no sistema aéreo e normas mais avançadas aos profissionais do setor. “O sistema aéreo brasileiro ganha uma lei moderna, que traz mais segurança à população e melhores condições de trabalho aos aeronautas”, observa o ministro.

Tripulantes de aviões agrícolas foram dispensados de cumprir algumas medidas. Neste caso, segundo a lei, poderão ter os limites de jornada de trabalho e horas de voo, estabelecidos em convenção ou acordo coletivo de trabalho, desde que não ultrapassem os parâmetros de segurança de voo determinados na regulamentação da autoridade de aviação civil brasileira.

Outra alteração relacionada à aviação agrícola estabelece que os tripulantes desta atividade poderão ter a parcela variável de seu salário calculada em área produzida ou aplicada e não em horas de voo.

Data: 25/08/2017 / Fonte: Procuradoria Geral do Trabalho

Brasília/DF – Ministério Público do Trabalho irá intensificar as inspeções e ajuizamento de ações contra empresas para garantir o total banimento do amianto em território brasileiro. Na tarde de quinta-feira, dia 24, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal entendeu que não há níveis toleráveis de exposição ao amianto e, incidentalmente, declarou a inconstitucionalidade de dispositivo federal que disciplina uso do amianto crisotila. Para o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, o julgamento realizado pelo STF reforça a atuação do MPT, que em 2012 criou o Programa Nacional de Banimento do Amianto e já ingressou com diversas ações contra empresas que ainda utilizam o amianto crisotila no país.

” Nós intensificaremos as ações de combate ao amianto, procurando banir o produto do Brasil “, afirmou Fleury. “O brilhante e histórico entendimento manifestado pelos ministros do STF representa significativo avanço no marco protetivo da vida e da saúde dos trabalhadores brasileiros. Reforça, ainda, a importância do Programa Nacional de Banimento do Amianto do Brasil, instituído pelo MPT desde o ano de 2012, que conta com resultados expressivos e reconhecimento nacional e internacional na luta pelo banimento desta substância.”

O procurador-geral do Trabalho destacou ainda a importância das decisões do STF, com o reconhecimento pela maioria dos ministros de que o amianto, por ser um produto altamente cancerígeno e banido em mais de 70 países, incluindo toda a União Europeia – desde o ano de 2005 – deve ser banido do Brasil, por violar princípios vetores da Constituição Federal, como o direito à vida, à saúde e ao meio-ambiente equilibrado.

O coordenador nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho, do MPT, o procurador do Trabalho Leonardo Osório Mendonça, acrescentou que o MPT vai cada vez mais intensificar as reações, mapear as empresas que usam o amianto e que ainda não foram objeto de ação. “Vamos fazer valer essa vontade majoritária do Supremo: o amianto tem que ser extirpado do país e nenhuma empresa pode colocar os seus interesses econômicos à frente do interesse da vida e da saúde do trabalhador”, destacou o procurador.

Os gerentes do Programa Nacional de Banimento do Amianto, os procuradores do MPT Márcia Kamei e Luciano Leivas destacaram que, diante da ação do MPT, várias empresas que utilizavam amianto já substituíram ou assumiram o compromisso de substituir, em momento próximo, os produtos com amianto. “Várias empresas se comprometeram, em acordos perante o MPT, a não utilizar o amianto, independentemente do resultado das ações julgadas na última quinta-feira, 25. A decisão do Supremo reforça o entendimento histórico do Ministério Público laboral da necessidade de banimento de produto reconhecido por toda a comunidade científica e pela Organização Mundial da Saúde – OMS como altamente cancerígeno” . Eles destacaram, ainda, que segundo a OMS, 50% dos casos de câncer ocupacional estão relacionados ao amianto.


Beto Soares/Estúdio Boom
Data: 08/09/2017 / Fonte: Redação Revista Proteção/Raira Cardoso

Garantido pela Constituição da República Federativa do Brasil, o acesso à justiça é direito de todo e qualquer cidadão. Na Justiça do Trabalho, esse benefício é usufruído por milhões de colaboradores, que reclamam o recebimento de adicionais de insalubridade e periculosidade, indenizações devido a acidentes de trabalhos e doenças ocupacionais desenvolvidas no ambiente laboral. A cada ano, mais e mais dessas ações são somadas as que ainda aguardam resolução e para dar conta da demanda e `desafogar’ o Judiciário, o magistrado precisa fazer uso da perícia judicial. Por meio dela, o juiz conta com a expertise do perito, profissional escolhido por ele para responder questões alheias ao seu campo de conhecimento. Espera-se que a formação compatível com a investigação pericial e o distanciamento desse especialista com relação às partes contribuam para a formulação de um laudo pericial imparcial e fundamentado tecnicamente.

No entanto, nem sempre esse é o resultado obtido. Seja pela carência de profissionais devidamente habilitados para esclarecer questões relacionadas à Saúde e Segurança do Trabalho nas diversas varas dos Tribunais Regionais do Trabalho ou mesmo pela falta de uma postura ética adequada. A verdade é que o cenário, muitas vezes, revela laudos tendenciosos e de baixa qualidade. Além disso, há duras discussões sobre quais especialidades estão aptas a realizar essas investigações e de que forma as mudanças no Código de Processo Civil e na Consolidação das Leis do Trabalho irão afetar a atuação pericial.

Data: 14/09/2017 / Fonte: G1

Goiânia/GO – Há exatos 30 anos, Goiânia era atingida por aquele que é considerado o maior acidente radiológico do mundo. A tragédia envolvendo o césio-137 deixou centenas de pessoas mortas contaminadas pelo elemento e outras tantas com sequelas irreversíveis.

No âmbito radioativo, o césio-137 só não foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). O incidente teve início depois que dois jovens catadores de papel encontraram e abriram um aparelho contendo o elemento radioativo. A peça foi achada em um prédio abandonado, onde funcionava uma clínica desativada.

Mesmo passadas mais de duas décadas da tragédia, o acidente ainda deixa resquícios de medo. Um exemplo é a situação do local onde morava uma das pessoas que encontraram a peça. A casa em que vivia o catador foi demolida no mesmo ano em que tudo ocorreu. Apesar de o solo ter sido todo retirado e ter sido substituído por várias camadas de concreto, nunca mais qualquer tipo de construção foi feita no local.

Riscos
Segundo o supervisor de radiodivisão César Luis Vieira, que também trabalhou na época do acidente, o risco de contaminação em Goiânia foi praticamente extinto. “Se for comparar o resultado de hoje com o da época, é uma diferença [de radiação] quase mil vezes menor”, afirma.

César explica ainda que o nível de radiação da cidade é considerado dentro dos padrões normais. “Não há nenhum lugar que não tenha material radioativo, como, por exemplo, o urânio, que está no solo. É o que a gente chama de radiação natural, mas que não oferece risco”, complementa.

Cerca de 6 mil toneladas de lixo radioativo foram recolhidas na capital goiana após o acidente. Todo esse material com suspeita de contaminação foi levado  para a unidade de do Cnen em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana da capita, onde foi enterrado.

Passadas mais de duas décadas, os resíduos já perderam metade da radiação. No entanto, o risco completo de radiação só deve desaparecer em pelo menos 275 anos.

Reclamações
Para relembrar o acidente, aconteceu nesta sexta-feira uma reunião na Assembleia Legislativa com mais de 100 vítimas do césio-137. A maioria deles ainda tem sequelas contraídas durante o episódio.

O aposentado Teodoro Bispo, que trabalhou na descontaminação da área afetada pelo acidente, teve problemas em várias partes do corpo, principalmente na visão, por causa do contato com o elemento radioativo. Ele cobrou melhorias na assistência hospitalar e mais atenção do poder público para as vítimas.

“Eles falam que não iríamos ter nada, mas tem muita gente morrendo. A gente se sente abandonado. Nós que descontaminamos Goiânia recebemos apenas R$ 622”, lamenta.

Contaminação
A tragédia começou quando dois jovens catadores de materiais recicláveis abrem um aparelho de radioterapia em um prédio público abandonado, no dia 13 de setembro de 1987, no Centro de Goiânia. Eles pensavam em retirar o chumbo e o metal para vender e ignoravam que dentro do equipamento havia uma cápsula contendo césio-137, um metal radioativo.

Apesar de o aparelho pesar cerca de 100 kg, a dupla o levou para casa de um deles, no Centro. Já no primeiro dia de contato com o material, ambos começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, como tonteiras, náuseas e vômitos. Inicialmente, não associaram o mal-estar ao césio-137, e sim à alimentação.

Depois de cinco dias, o equipamento foi vendido para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado no Setor Aeroporto, também na região central da cidade. Neste local, a cápsula foi aberta e, à noite, Devair constatou que o material tinha um brilho azul intenso e levou o material para dentro de casa.

Devair, sua esposa Maria Gabriela Ferreira e outros membros de sua família também começaram a apresentar sintomas de contaminação radioativa, sem fazer ideia do que tinham em casa. Ele continuava fascinado pelo brilho do material. Entre os dias 19 e 26 de setembro, a cápsula com o césio foi mostrada para várias pessoas que passaram pelo ferro-velho e também pela casa da família.

Leide das Neves
A primeira vítima fatal do acidente radiológico foi a garota Leide das Neves Ferreira, de 6 anos. Ela se tornou o símbolo dessa tragédia e morreu depois de se encantar com o pó radioativo que brilhava durante a noite.

A menina ainda fez um lanche depois de brincar com a novidade, acabou ingerindo, acidentalmente, partículas do pó misturadas ao alimento. Isso aconteceu longe dos olhos da mãe, Lourdes das Neves Ferreira.

Em entrevista concedida no ano passado, Lourdes disse que se sente culpada pela morte da filha. “Fica passando um filme na minha cabeça. São 25 anos de sofrimento, de dor, de tristeza e de angústia. Eu me arrependo e cobro de mim mesma. Se eu não tivesse ido tomar banho, talvez ela não tivesse ingerido [partículas de pó do césio]”, disse.


Foto Arquivo/CRCN-CO/CNEN/Goiânia 20 anos
Data: 13/09/2017 / Fonte: G1

Goiânia/GO – Após 30 anos, vítimas revisitaram locais ligados ao acidente radiológico com o césio-137 e relembraram os momentos traumáticos que viveram em setembro de 1987. Muitos carregam até hoje sequelas, tanto físicas quanto psicológicas, após terem contato direta ou indiretamente com o material. Ouvidos pelo G1, eles relatam que sofreram vários tipos de humilhações, como serem agredidos ao andar na rua, expulsos de ônibus e até “lavados como uma Kombi” no processo de descontaminação.

“Lá no fundo, a gente sofre muito, a gente não deixa de reviver as perdas. Não só materiais, mas principalmente vidas e o direito de ir e vir”, disse Odesson Alves Ferreira, membro da família mais afetada pelo césio na época.

O acidente aconteceu após dois catadores de materiais recicláveis encontrarem um aparelho de radioterapia abandonado em uma antiga clínica de radiologia. Eles começaram a desmontar o equipamento em casa e, na sequência, o venderam a um ferro-velho, onde foi feita a descoberta do pó que brilhava à noite. Oficialmente, quatro pessoas morreram vítimas do pó azul radioativo, entre elas a menina Leide das Neves, de 6 anos, e outras 249 tiveram algum tipo de contaminação.

A primeira parada do cilindro com a cápsula de césio ocorreu na Rua 57, no Setor Central, onde foi desmontado, a marretadas. Na época, a residência foi demolida devido à contaminação no local. Até hoje, o lote está vazio e coberto de concreto. A falta de identificações oficiais sobre o acidente ou memoriais em homenagem às vítimas é quase uma regra em todos os pontos afetados. Nesse local, apenas um grafite com elementos radiativos faz referência ao que aconteceu ali, há 30 anos.

O motorista Jason Franco Rocha conta que esteve várias vezes no local atingido para retirar o entulho e levar para Abadia de Goiás, onde todos os rejeitos foram enterrados. Trabalhando inicialmente com roupas comuns, do dia a dia, achava que desempenharia uma tarefa rotineira.

“Viemos para cá sem saber de nada. Nos mandaram falando que era um vazamento de gás. Só do terceiro dia em diante é que ficamos sabendo da gravidade do problema. Daqui saiu televisão, cachorro, galinha, o que tinha aqui foi encaixotado. Não sobrou nada”, contou.

Ele, assim como outras dezenas de vítimas, era funcionário do então Consorcio Rodoviário Intermunicipal S.A. (Crisa), que ficava na Avenida Portugal, no Setor Oeste, em Goiânia. Muitos foram mandados – inclusive sem o material de proteção adequado, em um primeiro momento – para os vários pontos por onde o material radioativo passou. Esses trabalhadores recolhiam todo o tipo de rejeito. Hoje, no local, existe um hipermercado.

“As pessoas que estavam na rua, em algum carro, corriam da gente. A gente não sabia que estava mexendo com uma coisa perigosa”, contou o também motorista Cirilo Aquino Batista.

Ele lembra do susto das pessoas após eles receberem as roupas próprias para o trabalho: “Quando a gente recebeu os macacões para trabalhar, as pessoas assustavam quando viam a gente, parecia até um astronauta”.

Além das lembranças, ele guarda fotos que mostram os trabalhadores sobre os contêineres com os rejeitos radioativos, sua carteira de funcionário do Crisa e até uma espécie de caneta para sinalizar o nível de radiação.
“Ela tinha uma pilha, uma bateria dentro, e a gente sempre deixava no bolso. Quando a radiação era muito grande, ela começava a bater no peito e a gente sabia que ali estava com muita radiação”, completou.

“A gente era enganado, não sabíamos que tipo de risco corríamos, que tipo de problemas podíamos ter, igual eu e muitos colegas temos. Um dia, peguei um ônibus e, quando cheguei no Terminal de ônibus do Dergo, quatro homens me abordaram e perguntaram se eu trabalhava no Crisa. Eu disse que sim, e mandaram eu descer e começaram a me atacar, me empurrar para fora do ônibus”, lembra com muita tristeza o ex-servidor do Crisa, Clóvis Raimundo da Conceição.

Descontaminação
Devido à dimensão do acidente milhares de goianienses precisaram passar por monitoramento e descontaminação no Estádio Olímpico, na Avenida Paranaíba, no Setor Central. Odesson Ferreira pisou no local pela primeira vez após 30 anos e se lembra vividamente do que passou naquela época.

“Dentro dos vestiários, as pessoas eram lavadas como se lava um carro. Usavam vassouras, muita água, sabão e esfregavam. Usavam uma mangueira com um jato bem forte. Fui lavado como uma Kombi”, diz Odesson.

Ele é irmão de Devair, dono do ferro-velho onde a cápsula do césio-137 foi retirada, e de Ivo, que levou o material radioativo para casa e mostrou para os parentes, inclusive a filha, Leide das Neves, símbolo da tragédia e que morreu após fazer um lanche com as mãos sujas com o pó azul.

Ele, que era motorista de ônibus na época, lembra-se da fila que se formou indo da Avenida Paranaíba, contornando o estádio e chegando à entrada de jogadores. Todos eram monitorados: as pessoas que estavam mais contaminadas iam para dentro do gramado. As que estavam com níveis mais baixos iam para as arquibancadas, e outras eram liberadas.

“Eu, por exemplo, fui para casa vestido com um avental descartável, porque minha roupa, sapato, uniforme da empresa onde eu trabalhava, tudo ficou aqui, no dia 30 de setembro”, disse.

Traumas e sequelas
Todos que tiveram algum contato com a pedra azul e radioativa do césio-137 relatam algum tipo de sequela ou trauma.

“Eu não fiquei com um único dente na boca. Qualquer coisa que você sente você acha que é o césio. Já enterramos colegas vítimas do césio, tem outros em cadeira de roda, que não fala”, contou Jason.

O mecânico de máquinas do Crisa, Teodoro Juvenal Bispo Neto, conta que muitos trabalhadores tiveram algum problema de saúde ligado ao acidente radiológico, mas que nem todos são reconhecidos como vítimas.

“Hoje, somos encostados. Tivemos contato com o césio, mas hoje estamos no grupo três para tratamento. Brigamos para receber uma pensão, não temos acesso a nenhuma assistência. Uns os dentes caíram, outros estão cegos. Tem gente com verruga nascendo dentro do olho. Nós nunca quisemos ser heróis de descontaminação de Goiânia”, contou.

Apenas quatro mortes são atribuídas ao acidente com o césio-137. “Apesar disso, tem mais de mil pessoas que recebem alguma indenização. Nessa área financeira, eles admitem que as pessoas foram vítimas, mas para o lado do tratamento, não admitem. Eu perdi a palma da mão, e parte do indicador direito e esquerdo. Eu tive que tratar oito doenças distintas, mas nenhuma delas era associada ao acidente oficialmente. Até 2010 a gente recebia medicação para tratar algumas doenças, mas, desde então, estamos sem receber esse tratamento”, contou Odesson.

A Secretaria Estadual de Saúde estima que cerca de 1.200 pessoas são atendidas pelo Centro de Assistência aos Radioacidentados (Cara), recebendo atendimento em várias especialidades médicas e assistência psicológica. Também são realizadas visitas domiciliares às vítimas e monitoramento dos efeitos tardios da radiação.

Ao todo, segundo a secretaria, 530 pessoas recebem pensões estaduais no valor de cerca de R$ 750 cada, 250 recebem benefícios federais e 130 acumulam as duas. O governo tem um estudo para aumentar o valor, mas não há uma definição de qual a nova quantia e nem quando ela seria concedida.

Com relação aos trabalhadores do Crisa, o governo os reconhece como “trabalhadores de áreas já descontaminadas”, enquadrando-os no terceiro grupo de assistidos. Entretanto, segundo a secretaria, não há nenhuma diferença no tratamento recebido por eles em relação às vítimas dos outros dois grupos.

Sobre a medicação, o órgão explicou que não deixou de disponibilizar nenhum medicamento da farmácia básica e outros de alto custo através da Central de Medicamentos Juarez Barbosa. Entretanto, qualquer outra demanda deve passar por um processo de judicialização.

O governo informa ainda que está em fase de finalização um painel em memória às vítimas do césio-137 que será entregue na inauguração do Hospital do Servidor Público de Goiás.

  • Amanda Perobelli/UOL

    Carlos é uma das mais novas vítimas do desemprego: a fábrica onde trabalhou por 23 anos e onde perdeu parte de 3 dedos da mão direita vai fechar as portas

    Carlos é uma das mais novas vítimas do desemprego: a fábrica onde trabalhou por 23 anos e onde perdeu parte de 3 dedos da mão direita vai fechar as portas

A primeira semana de trabalho em setembro foi arrastada e melancólica nas linhas de montagem da Panex, fábrica de panelas e utilidades domésticas em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, com 39 anos de história no mesmo local. São poucos os que ainda têm o que fazer e o clima é de fim de festa, com cada vez menos gente.

Tem sido assim desde fevereiro, quando os franceses do Grupo Seb, dono da empresa desde 2005, anunciaram o fechamento da fábrica histórica e a transferência de todas as atividades para a unidade de Itatiaia, no interior do Rio de Janeiro.

A redução no número de funcionários acontecia já não era de hoje e este desfecho era questão de tempo, mas o anúncio pegou muita gente de surpresa. Como o torneiro mecânico Carlos Antonio de Carvalho, que tem 51 anos de idade e trabalha na fábrica há 23 deles. A poucos anos de distância da aposentadoria por tempo de serviço, ele diz que ficou bastante chateado. “Dei entrada no processo, vou pagar uma diferença e ganhar menos, mas acho que consigo um benefício, vamos ver”, afirma.

“É uma vida inteira, né”, diz o trabalhador. Até dezembro, quando a fábrica for fechada de vez, Carvalho engrossará as estatísticas do desemprego no Brasil, que no segundo trimestre deste ano recuou.

São 13,3 milhões de desempregados no Brasil, segundo o IBGE, mas o órgão não informa dados específicos sobre a região do ABC. Segundo outra pesquisa, do Seade/Dieese, a região tinha cerca de 250 mil pessoas paradas em fevereiro (dado mais recente).

Neste cenário, Carvalho não tem esperança de arrumar um emprego com carteira assinada na região onde vive, menos ainda na metalurgia. “[O problema] Não é só minha idade, é que não existe mais vaga em indústria, não tem mais emprego para operário aqui. Todo ano é fábrica fechando, conhecido sendo mandado embora, não tem alento”, diz.

Outra dificuldade, no caso dele, foi o preço cobrado pelo torno que operou a vida toda. Quase 20 anos atrás, teve três dedos decepados pela máquina, no formato da curva da tampa de panela que dobrava.

Crise acelerou mudanças de empresas

Ao longo de todos estes anos, o operário viu o número de colegas empregados no local cair de pouco mais de mil para os cerca de 300 que ali estavam quando veio o anúncio final. A pá de cal foi a crise econômica dos últimos três anos. De acordo com o Grupo Seb, na ocasião do anúncio, a desativação da fábrica começou em julho e vai até o fim do ano.

A decisão de transferir a linha, diz a empresa, visa elevar sua competitividade em um momento difícil para a economia nacional. No início de 2016, a empresa já havia feito a mesma coisa com a fábrica da Mooca, na zona leste de São Paulo, onde eram produzidos os eletrodomésticos. Estava naquele local havia cerca de 70 anos.

O exemplo da Panex ilustra uma situação que é tendência em toda a região do ABC: um processo de desindustrialização e perda de empregos que se desenvolve ao longo de décadas –por motivos variados– e que tem sido acelerado com a crise econômica de meados de 2014 para cá.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC –de onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu no começo dos anos 1980 para despontar como liderança da esquerda nacional–, eram 111 mil trabalhadores ativos na base em 2011, o auge histórico no número de filiados. De 2011 até 2014, foram perdidos cerca de 10 mil empregos. Do segundo semestre de 2014 até agora, o ritmo de cortes acelerou: foram quase 28 mil mandados embora.

“Que alternativa eu tenho? Vou fazer ‘bicos'”

“Existem dois tipos de desemprego aqui na região do ABC”, afirma Wagner Santana, atual presidente do sindicato dos metalúrgicos. “Um é o desemprego conjuntural, que tem a ver com a crise econômica e volta conforme a economia aquece novamente. O outro é um desemprego mais estrutural, do fechamento da fábrica, da modernização das linhas de montagem, da transferência das empresas para outros lugares”, diz o sindicalista.

“A vocação do ABC ainda é industrial, é o que move a economia por aqui. Porém, ainda não começamos a desenvolver um plano a longo prazo e, se não começarmos logo, o tipo de indústria que temos aqui não vai sobreviver e veremos cada vez o ABC perdendo a vida própria e virando cidades-dormitórios.”

Neste cenário, depois de uma viagem de descanso com a mulher até a Argentina, o operário Carvalho quer virar autônomo. “Que alternativa eu tenho? Vou fazer ‘bicos’ de encanador e eletricista”, afirma. Será mais um dos milhares de brasileiros que puxaram a “recuperação” nos índices de emprego na base da troca de uma vaga com carteira assinada por uma atividade precarizada.

Amanda Perobelli/UOL

Trabalhadores da Ford deixam fábrica em São Bernardo do Campo, na Grande SP

“Chegamos ao fundo do poço, e nele estamos”

Os números da indústria automotiva –principal geradora de empregos na região– dão sinais de recuperação, mas ainda seguem muito abaixo do que eram três anos atrás. De acordo com balanço divulgado no início do mês pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a produção de veículos aumentou pelo segundo mês consecutivo em julho, depois de sucessivas quedas nos últimos anos.

De acordo com estimativas de executivos do setor, se a tendência de recuperação continuar, o Brasil pode produzir até cerca de 2 milhões de veículos até o final do ano. Hoje a previsão oficial está em pouco mais de 1 milhão de unidades. Em 2014 (a partir de quando se acentuam as demissões), foram cerca de 3,5 milhões de veículos colocados nos mercados nacional e internacional.

Os “lay-offs”, quando a montadora deixa os trabalhadores em casa com salários reduzidos para não demitir, estão quase no fim, de acordo com o sindicato. “A empresa que tem mais funcionários parados hoje é a Volkswagen, com uns mil em ‘lay-off’, mas está retomando aos poucos”, diz Wagner. No ‘lay-off’, as montadoras aderem ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego), criado ainda no governo Dilma, e o governo federal paga parte do salário em troca de a empresa não mandar o trabalhador embora.

“Mas ainda é muito cedo para comemorar. Chegamos ao fundo do poço e nele estamos, ainda sem sinal de sair”, diz o sindicalista. “A Mercedes-Benz tem aproveitado o momento para fazer uma grande reestruturação nos últimos anos e vem diminuindo o quadro de funcionários.”

No ano passado, a montadora mandou embora entre 300 e 400 funcionários. Em agosto deste ano, a Ford dispensou 364 funcionários. A Volkswagen anunciou investimento de R$ 2,6 bilhões na fábrica de São Bernardo do Campo, mas isso não significa mais empregos. “É modernização, o que vai acontecer é que vão parar de demitir, pelo menos por um tempo”, diz o presidente do sindicato dos metalúrgicos.

“O resumo é que, de todos esses empregos que sumiram de 2014 para cá, ainda não sabemos quantos voltam e quantos foram embora de vez”, diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. “Precisamos esperar a atividade econômica voltar ao normal para aí ver o que foi perdido”, afirma.

Amanda Perobelli/UOL

Trabalhador carrega caminhão com equipamentos da linha de montagem da Panex, em São Bernardo do Campo: empresa fechou as portas no ABC e mudou-se para o RJ

“Depois de 22 anos aqui, vai ser estranho sair”

Sem emprego, alguns perdem o chão. “Não sei nem o que dizer, o que pensar direito”, afirma Siresio Vieira da Silva, 41. “Esse foi meu primeiro e único emprego na vida. Entrei aqui com 19 anos como auxiliar de produção e hoje sou supervisor”, contou em uma tarde no início de setembro. Havia acabado de ser demitido.

“Eu mesmo trabalhava em metalúrgica e fiquei desempregado faz quase dois anos”, comenta um trabalhador que prefere não ser identificado e foi contratado para fazer um “bico” desmontando os equipamentos da Panex para fazer a mudança para o Rio de Janeiro. É mais um exemplo vivo da precarização dos postos de trabalho para quem sai do desemprego. Aos poucos, ele e os colegas vão enchendo os caminhões e levando embora o que sobrou da fábrica.

“A gente fica triste, mas é assim mesmo, é vida que segue”, diz Neilson Ferreira Gomes, 49. “Depois de 22 anos na mesma fábrica, vai ser estranho sair”, diz. Ele ainda não sabe quando será desligado, mas sabe que de dezembro não passa.

Amanda Perobelli/UOL

Neilson foi surpreendido com o anúncio de fechamento da fábrica onde trabalha em São Bernardo do Campo, na Grande SP: ele está na empresa há 22 anos

A avenida Álvaro Guimarães, onde fica a Panex em São Bernardo do Campo, é um bom exemplo do processo de desindustrialização vivido na região do ABC ao longo da última década e que foi acelerado pela crise nos últimos anos. Do outro lado da rua, fica a fábrica de peças e manutenção de motores de avião da Rolls-Royce, desativada no início do ano. Alguns quilômetros para a frente, está localizada a fábrica da Karmann-Ghia, que foi à falência no final do ano passado.

Ali perto ainda há as instalações da P&G (do ramo de limpeza e higiene pessoal), vazias desde que a matriz norte-americana decidiu encerrar as operações no local. Em volta destes locais enormes e desertos, o comércio definha sem fregueses e vai fechando as portas aos poucos. Não há comerciante na região que não reclame da queda no movimento. Para eles, não há sinais da recuperação econômica comemorada pelo governo federal.

A analise do acidente, mostra a importância de procedimentos de segurança, analises de riscos e equipes de resgate treinadas e prontas para entrar em ação. O acidente ocorreu em outubro de 2007 em Denver Colorado nos Estados Unidos.  A OSHA tem desde 1993 normas regulamentadora  para a entrada em Espaços Confinados. Espero que a divulgação desse vídeo possa ser usado para prevenir futuros acidentes.