Grandes acidentes encerra a Semana de Segurança Quimica

Publicado: novembro 13, 2017 em Segurança do Trabalho
Tags:

Divulgação/Fundacentro
Data: 27/10/2017 / Fonte: Fundacentro

São Paulo/SP – No último dia da Semana da Segurança Química (20), pesquisadores falaram sobre a dificuldade da gestão de riscos no setor de pequenas e médias empresas e dos grandes acidentes industriais ocorridos na Baixada Santista.

A primeira palestra apresentada por Fernando Sobrinho, engenheiro da Fundacentro e membro da Comissão Nacional da Segurança Química (Conasq) ressaltou a dificuldade que as pequenas e médias empresas tem em lidar com a gestão de riscos.

Para Fernando, uma das grandes questões que se coloca é a ausência de Sesmt e Cipa nessas empresas que fazem uso de produtos químicos.

Durante a palestra, alguns vídeos foram exibidos ao público, como forma de chamar a atenção para o desconhecimento dos riscos, tendo como consequência acidentes ou explosões envolvendo produtos químicos.

Um dos casos apresentados foi o acidente em Cachoeirinha no Rio Grande do Sul em 2016. Foi constatado que a empresa não armazenava os produtos químicos de forma correta e não havia gestão de riscos. Outro grande acidente foi em Canoas, em uma oficina de botijões. Mais recentemente, na Vila Leopoldina acidente envolvendo fábrica de cera de depilação. Em 2016, em Diadema houve uma explosão em indústria de inseticida e a empresa não possuía licença ambiental operando na irregularidade. “É difícil para os órgãos fiscalizadores darem conta desses acidentes em um cenário de irregularidades. Além disso, não há estatística no Brasil que nos mostre os acidentes pelo país envolvendo pequenas empresas ou até mesmo aqueles que improvisam o uso de produtos químicos, como por exemplo, o vendedor do carrinho de pipoca que carrega um botijão sem ter noção de como armazená-lo”, coloca Fernando.

Além de irregularidades, desconhecimento dos riscos e ausência de gestão, Sobrinho observa que as pequenas empresas lidam com a falta de recursos financeiros, falta de pessoal capacitado em gestão de riscos, dificuldade de acesso aos programas de segurança química, falta de informação sobre riscos, pulverização geográfica e descontinuidade de ações públicas.

Prevenção de explosões
Criada há 16 anos, a Associação Brasileira para Prevenção de Explosões-SP (ABPEx), tem como objetivo a prevenção, a proteção, controle de explosões, tendo como base a legislação e a normalização vigente.

O diretor da ABPEx e palestrante Nelson López apresentou o tema “Áreas classificadas, homologação e prevenção de explosões e acidentes químicos”. Áreas classificadas são aquelas consideradas ambientes de alto risco podendo haver o vazamento de gases inflamáveis ou até mesmo uma explosão.

O palestrante traçou na linha do tempo, as principais mudanças realizadas no setor no período de 1981 a 2012.
Em 1981, a ABNT adotava as normas de origem internacional como base da normalização brasileira. Em 1990, o ministério da Justiça obriga que todo o produto e serviço oferecido ao mercado devem seguir as normas técnicas vigentes. Mas foi em 2004 que a Norma Regulamentadora 10 foi revisada incluindo exigências para o controle do risco de explosão em áreas classificadas, conforme descrito no item 10.4.2. Posteriormente, em 2012, a NR-20-Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis também passa por mudanças. Foram citadas as normas ABNT sobre atmosferas explosivas que podem ser consultadas na ABNT. “Quero mostrar que é possível regularizar e atender a legislação fazendo trabalhos de reclassificação de áreas, mas precisamos primeiramente identificar o risco real”, finalizou López.

Perigo presente em máquinas energizadas
“Muitos acidentes tem acontecido na área de controle de energias perigosas, especialmente no momento da manutenção de máquinas”, disse Francisco Kulcsar, engenheiro aposentado da Fundacentro durante sua apresentação sobre “Controle de energias perigosas”.

Para o engenheiro que apresentou uma série de vídeos sobre casos reais de acidentes por energização, esses acidentes poderiam ter sido evitados observando os bloqueios, etiquetas e verificação de desenergização ou energia zero.

A desenergização, ou método de controle de energias perigosas deve conter alguns passos, de acordo com Kulcsar, como forma de evitar acidentes. São eles: a realização de Análise Preliminar de Risco (APR); a Permissão de Trabalho com Energia Perigosa (PTEP); comunicação aos trabalhadores da produção sobre o desligamento do equipamento; a desenergização e a aplicação do Bloqueio e Etiquetagem (Bloque); delimitar e sinalizar a área do equipamento com correntes, fitas e cones; desligar o equipamento; desenergizar o equipamento e todos os outros que possam interferir na manutenção; aplicar o bloqueio e etiquetagem no dispositivo de isolamento de energia; liberar, aliviar, dissipar ou controlar as energias armazenadas, residuais ou potenciais; verificar e testar a desenergização e liberar para o inicio das atividades de manutenção.

Kulcsar salienta que é muito comum ocorrerem acidentes em máquinas elétricas, pneumáticas, hidráulicas e robóticas que passam por manutenção, pois em muitas situações é o próprio trabalhador da produção que realiza a manutenção. “Os trabalhadores de produção são da produção. O departamento de manutenção deve ser comunicado sobre o defeito apresentado e bloquear o uso de determinada máquina”, ressalta.

Os equipamentos de maneira geral podem apresentar falhas no isolamento elétrico. Nesse sentido, o engenheiro observa ainda que é muito importante retirar e reposicionar os trabalhadores que estão dentro do equipamento, a fim de evitar um acidente fatal.

Parceria entre MPT e Fundacentro

Apresentada pela analista pericial do Ministério Público do Trabalho, Sheila Mota, a palestra “Acidente fatal envolvendo acido fluorídrico: atuação do MPT e da Fundacentro e mudanças no processo de transferência e armazenagem do produto” teve como objetivo mostrar a intervenção das entidades após a ocorrência de óbito com 2 trabalhadores expostos ao ácido fluorídrico.

Considerado uma solução aquosa, incolor, de odor pungente e não inflamável, o ácido fluorídrico é utilizado na indústria petroquímica, na indústria de vidros, metalurgia e outros. Na saúde, o ácido fluorídrico pode causar insuficiência respiratória aguda, queimadura química e intoxicação.

Foi em 2012, na cidade de Guarulhos que uma grande indústria fez duas vitimas fatais, tendo como causa do acidente, o rompimento na base do tanque que armazenava ácido fluorídrico.

Após o acidente o Ministério Público do Trabalho instaurou procedimento para verificação de eventual descumprimento de normas relativas à SST, momento em que tiveram inicio as inspeções com profissionais do MPT e da Fundacentro, culminando na elaboração de um TAC. Nele, é solicitado que a empresa elabore análise de perigos e riscos para todas as etapas no processo de armazenamento do ácido fluorídrico, como também que o sistema de ventilação exaustora seja substituído.

Segundo Sheila Mota, o MPT e a Fundacentro farão visita técnica ainda este ano, a fim de verificar se houve atendimento das sugestões propostas no TAC.

Atuação dos sindicatos na Baixada Santista
Com a participação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Herbert Passos; Marcelo Juvenal Vasco, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista e Adilson Lima, presidente do Sindiminérios foram apresentadas as ações que os sindicatos vem tomando com relação aos últimos acidentes industriais que ocorreram na Baixada Santista.

Grande parte dos acidentes ocorreram em multinacionais e empresas de grande porte, responsáveis por gerarem danos ambientais e à saúde humana, como também mortes de trabalhadores. Entre contaminação de cloro, chuva de ácido fosfórico, incêndio e toneladas de nitrato de amônia despejadas no ambiente, os sindicatos vêm buscando junto a essas empresas, a conscientização e educação dos trabalhadores e da comunidade.

Marcelo Juvenal que representa os trabalhadores da Petrobrás observa que em muitas vezes o próprio sindicato interrompe os turnos de trabalho para que seja feita uma discussão com os trabalhadores sobre “as nossas vidas”. “É um momento em que são discutidas as condições de trabalho e de gestão da empresa”, destaca.

O Sindipetro, por exemplo, utiliza como forma de conscientizar os trabalhadores sobre os riscos, jornais específicos sobre SST, fortalecimento de Cipa´s, informes da Fundacentro, do Cerest, do MPT, da CNPBz, do ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Os representantes dos sindicatos destacaram que com toda a mudança no cenário sócioeconômico e nas relações de trabalho houve redução de quase 20% do quadro efetivo de funcionários, colocando os trabalhadores em situação de insegurança. “Somos contra a terceirização do risco. Para nós é melhor que se feche a empresa do que haver a exposição do trabalhador ou até mesmo o óbito”, colocou Herbert Passos do Sindiquim.

Para encerrar as palestras do último dia da Semana da Segurança Química, Mario Gilberto Monteiro da Globaltek falou sobre a eficácia do produto Diphoterine® em casos de contaminação pelo uso de produtos químicos corrosivos e irritantes e que possam causar lesão química na pele. O Diphoterine® é um produto francês, descontaminante químico que neutraliza a ação de ácidos e solventes.

Monteiro destaca que em alguns casos, dependendo do produto químico que está sendo utilizado, o mesmo pode penetrar até o osso, daí a importância de intervir rapidamente nos primeiros socorros, reduzindo as chances de internação hospitalar, cegueira, cicatrizes e sequelas.

Encerramento
A mesa de encerramento do último dia da Semana da Segurança Química contou com a participação de Newton Richa; a Presidente da Fundacentro, Leonice da Paz; o engenheiro e coordenador do evento, Fernando Sobrinho; o Diretor Técnico, Robson Spinelli Gomes e Josué Amador que coordenou a mesa de debates do dia.

Para Fernando Sobrinho o encerramento do evento é apenas simbólico, mas que as ações de prevenção no uso dos produtos químicos devem ter continuidade. “Espero que depois deste evento, haja uma conscientização maior de tudo que foi abordado aqui. Quero agradecer a Tereza Ferreira (assessora da Diretoria Técnica), pela ideia na realização deste evento”, finalizou.

Para o Diretor Técnico, Robson Spinelli, o desempenho e brilhantismo do engenheiro Fernando Sobrinho contribuíram para a realização e andamento dos trabalhos apresentados no evento.

Já a Presidente Leonice da Paz parabenizou o engenheiro pelo esforço na realização do evento e pelo respeito conquistado no Brasil e fora do país.

Durante toda a Semana da Segurança Química, os alunos do ETIM (Ensino Técnico Integrado ao Médio de Segurança do Trabalho) da ETEC Pirituba, Professora Doutora Doroti Quiomi Kanashiro Toyohara participaram do evento.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s