27 de novembro dia de homenagear quem cuida

Publicado: dezembro 3, 2017 em Segurança do Trabalho

Fabio Junior Alves Barbosa
Data: 27/11/2017 / Fonte: Redação Revista Proteção

Embora os desafios ainda sejam inúmeros, são muitas as conquistas a serem celebradas neste 27 de novembro, Dia do Técnico e do Engenheiro de Segurança do Trabalho. A data refere-se à lei que dispõe sobre a especialização dos ESTs e a profissão de TST publicada em 1985. Mas a missão desses profissionais nas linhas de frente das empresas de todo país, pela prevenção de doenças e acidentes ocupacionais, começou muito antes. E está longe de acabar, afinal, o Brasil ainda figura entre os países com os maiores índices de ocorrências do gênero.

“Uma das nossas principais conquistas ao longo desses anos é que o TST hoje é um profissional reconhecido e familiar nas relações de trabalho. Ele tem o respeito social, o respeito dos empregadores e trabalhadores”, ressalta o presidente da Fenatest (Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do Trabalho), Armando Henrique. Ele acrescenta que o fato de o Brasil ter deixado de ser o pior país do mundo em número de doenças e acidentes de trabalho se deve, principalmente, aos técnicos de segurança. “Mesmo reconhecendo que outros profissionais contribuem de forma integrada, são os TSTs que vivem o dia a dia, atuam mais diretamente, fazendo a SST acontecer”, destaca.

Entre os principais desafios da categoria que ainda estão pela frente, lista a conquista do conselho próprio como prioridade número um. A outra prioridade é cumprir e fazer cumprir a legislação prevencionista. “Hoje, nem 50% do que existe de legislação prevencionista é colocado em prática. Se fosse, estaríamos gerando milhares de empregos para TSTs”, prevê Armando.

MERCADO
Atualmente, conforme dados da Fenatest, existem 435 mil TSTs formados no Brasil, sendo que apenas 102 mil estão empregados. Desses, há 58 mil celetistas, 29 mil em empresas terceirizadas e 15 mil prestadores de serviços, ou seja, 333 mil não atuam na área por não existir campo suficiente. “Com a reforma trabalhista e a terceirização, nossa projeção é de que o mercado formal do TST caia 20%. O trabalho informal tende a crescer um pouco, mas com qualidade precária”, prevê.

Armando, no entanto, não deixa o otimismo de lado em relação ao futuro. “Não acredito na vida longa do que é imposto de cima para baixo. E penso que o futuro vai ser do tamanho que nós, interessados pela SST, desenharmos”, afirma. E faz um chamamento a todos os profissionais, não só os TSTs: que ergam a cabeça e se apresentem. “Se tivermos consciência de que quem tem que promover socialmente e tecnicamente essa questão somos nós, aí eu vejo um futuro bastante promissor e positivo. Para isso, precisamos quebrar esse clima negativo que estamos vivendo”, frisa.

EVOLUÇÃO
O vice-presidente da Sobes (Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança do Trabalho), Jaques Sherique, relata que a Engenharia de Segurança do Trabalho também evoluiu muito ao longo dos anos. “No início, nos anos 1970 e 1980, havia um estigma de que era uma engenharia que não contribuía muito para os avanços sociais e também de produção da empresa”, lembra. Acrescenta que, a partir dos anos 1990, a EST começou a ter valor mais elevado dentro das empresas e hoje se iguala a qualquer outra engenharia. “Com as novas normas, as novas exigências, os profissionais tiveram que se tornar grandes especialistas. Hoje, o EST não é mais um profissional reativo, que espera o acidente para poder tomar providências. Temos especialistas em gestão de riscos, em higiene ocupacional, se antecipando aos riscos ambientais e adotando as medidas de prevenção”, ressalta.

Para o presidente da Associação Nacional de Engenharia de Segurança do Trabalho (Anest), José Leandro da Silva Neto, uma das maiores conquistas da categoria foi a criação das câmaras especializadas em ESTs nos CREAs Regionais e a instalação das CCEEST (Coordenadorias das Câmaras Especialistas em Engenharia de Segurança do Trabalho) no Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia). Entre os principais desafios cita a manutenção do que já foi conquistado até hoje e a ampliação de espaços no âmbito do governo federal, o que inclui Ministério do Trabalho e Secretaria da Previdência. “Também precisamos urgentemente conquistar espaços no MEC (Ministério da Educação e Cultura), com o objetivo de influenciar na implantação da nossa proposta de grade curricular, que está lá há bastante tempo, assim como poder discutir, por meio de nossas entidades nacionais e regionais, acerca das quantidades e principalmente da qualidade de cursos de pós-graduação em EST, tanto na modalidade presencial, como no Ensino à Distância”, observa.

Na avaliação de Sherique, o principal desafio da categoria é o mercado de trabalho. O Confea tem registrados 54.003 engenheiros de Segurança do Trabalho formados. Em uma estimativa divulgada pela Fenatest, são 10 mil empregados em regime CLT e 20 mil prestadores de serviços. “Temos uma legislação que impõe a obrigação do EST de acordo com o grau de risco e do número de empregados, só que essa é uma matriz muito distante da real necessidade”, lamenta. Ele acrescenta que a maioria das empresas só precisa do EST a partir de 500 empregados, o que representa 2% do total das 5 milhões de empresas que existem no país.

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