Arquivo de junho, 2019

 

Os sistemas de espuma são usados principalmente em incêndios em líquidos inflamáveis e combustíveis. Nesse tipo de incêndios, em líquidos inflamáveis e combustíveis, a extinção deve ser feita por uma combinação de sufocamento, resfriamento, separando o fogo de sua fonte de combustível e suprimindo a evolução do vapor. A espuma é normalmente usada se o combustível está abaixo do seu ponto de ebulição em condições ambientais; está abaixo do ponto de ebulição da água; não reage com a água; não quebra a espuma; queimaria apenas como uma piscina bidimensional ou um incêndio na superfície. Os sistemas de espuma de alta expansão devem ser usados em combinação com a proteção dos sprinklers.

espuma2Da Redação –

A espuma mecânica de baixa expansão ou líquido gerador de espuma (LGE) tem como finalidade a proteção a incêndio, sendo um agregado de bolhas preenchidas com ar, proveniente de uma solução aquosa, e possui densidade menor do que qualquer líquido inflamável, por mais leve que seja. Ela é capaz de formar um consistente colchão de espuma sobre a superfície de combustíveis líquidos, com densidade menor que a da água. Sua ação principal consiste em prevenir ou extinguir um incêndio por abafamento e, secundariamente, promover resfriamento do combustível.

A espuma também previne a reignição por supressão dos vapores inflamáveis. A espuma formada possui também a propriedade de aderir às superfícies verticais adjacentes à área em chamas. As espumas podem ser usadas como um agente para prevenção, controle ou extinção de incêndio em combustíveis líquidos.

As espumas podem ser aplicadas através de sistemas fixos, sistemas portáteis ou através de equipamentos que permitam que elas fluam suavemente pela superfície do combustível em chamas. Podem também ser aplicadas através de linhas manuais, com o uso de mangueiras e esguichos formadores de espuma, torres portáteis ou canhões monitores, inclusive os de alta vazão.

As espumas podem ser aplicadas através de sistemas com tubulações aéreas e aspersores para proteção de incêndio em locais suscetíveis a vazamentos de combustíveis líquidos. A aplicação da espuma para este tipo de risco é na forma de spray ou de névoa densa.

Incêndios em grandes derramamentos de combustíveis líquidos podem ser extintos com equipamentos móveis do tipo viaturas usadas em aeroportos ou indústrias, equipadas com reservatório de LGE e equipamentos com capacidade de formar espuma em altas vazões e alcance, por um tempo de aplicação adequado. Embora outros agentes extintores sejam considerados para uso em incêndios de combustíveis líquidos, para grandes tanques de armazenamento de combustíveis líquidos, a espuma mecânica tem se demonstrado eficiente para o combate deste tipo de incêndio.

As espumas mecânicas formam um colchão estável por um determinado tempo e, quando aplicadas a taxas adequadas, possuem a capacidade de extinguir um incêndio gradativamente. Com a aplicação contínua, a espuma flui facilmente através da superfície em chamas formando uma camada densa, prevenindo a reignição na superfície já extinta.

Segundo a empresa Bucka, o LGE consiste em uma substância formada pela concentração sintética do produto. O diferencial do LGE está em não ser toxico e biodegradável. A substância foi desenvolvida para suportar altas temperaturas e garantir um produto de qualidade. O LGE ainda contêm surfactantes fluorados específicos e aditivos que proporcionam maior fluidez, estabilidade, resistência à temperatura e elevada velocidade. O produto é fabricado para extinguir incêndios em hidrocarbonetos e solventes polares.

As características da espuma também são pontos atrativos dos produtos, pois apresentam densidade baixa, contornam obstáculos e flutuam sobre líquidos inflamados. A principal função do LGE é combater incêndios classificados por categorias A e B, os quais são identificados pela presença de hidrocarbonetos e solventes polares.

Devido a densidade e expansão, o LGE atua na superfície do líquido inflamado, diante disso, o material forma uma proteção e impede a passagem de gases em alta temperatura, o que proíbe o contato do ar com o produto inflamável. O LGE pode apresentar característica doce, salgada ou salobra, lembrando que a proporção e modo de uso de equipamento será definido conforme o tipo de fogo a ser combatido.

O LGE é utilizado conforme a classificação do incêndio, quando as chamas decorrentes da classe B, as quais envolvem petróleo, gasolina, óleo diesel e demais combustíveis, podem ser detidas com o auxílio da espuma. O equipamento age também no combate a incêndios da classe A, os quais são decorrentes de madeira, papel, algodão e tecidos.

Para facilitar o desempenho do LGE, existem mecanismos que podem auxiliar no trabalho do LGE. A primeira etapa para o equipamento agir com alto desempenho é impedir a liberação de gases, sendo assim o produto cria uma camada de proteção.

O segundo procedimento visa retirar o oxigênio da superfície inflamável, por meio de espuma de elevada categoria. Por fim, a espuma drena o líquido, indicado para resfriar as superfícies metálicas. O produto funciona cobrindo a área das chamas e isolando o contato com vapores inflamáveis; resfriando os combustíveis; e suprindo os vapores inflamáveis para não se espalhar ao ar.

O LGE é um produto de alta potência, instalado estrategicamente em locais de diferentes áreas de risco como armazéns, barragens, hangares de aviões e costumam apresentar embalagem especificada como características tridimensionais. Os concentrados, chamados de AFFF produzem espumas as quais formam um fino filme aquoso sobre as chamas.

A presença da proteção permite o resfriamento do combustível e na supressão dos vapores. As espumas AFFF são compatíveis com o pó químico e o equipamento funciona como um escape em caso de chamas, assim a espuma detém ao fogo de forma suficiente.

A NBR 15511 de 02/2008 – Líquido gerador de espuma (LGE), de baixa expansão, para combate a incêndios em combustíveis líquidos estabelece os requisitos mínimos exigíveis para o LGE utilizado no combate a incêndio em combustíveis líquidos, em instalações como aeroportos, navios, refinarias, indústrias de petróleo, petroquímicas, químicas e outras onde haja o manuseio, estocagem ou produção de combustíveis líquidos utilizados em suas atividades. Pode-se dizer que se define a dosagem percentual, em volume, de LGE adicionado à água para obtenção da solução de espuma e os percentuais mais comuns são 1%, 3% e 6%. A espuma é um agregado de bolhas, formado após a incorporação de ar na solução de espuma, através de um dispositivo apropriado e a de baixa expansão é aquela cuja expansão é menor ou igual a 20.

A expansão é a razão entre o volume da espuma e o volume da solução que a gerou. O LGE pode ser classificado em: HC: para a extinção de incêndios em hidrocarbonetos; AV: utilização em aeroportos, para a extinção de incêndios em hidrocarbonetos; AR: para a extinção de incêndios em solventes polares. O Anexo A fornece informações gerais sobre LGE. O LGE pode atender aos requisitos de uma ou mais classes. Os possíveis tipos de LGE são dados na tabela abaixo.

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O LGE, conforme a sua classe, deve atender ao desempenho de extinção e resistência à reignição especificado na tabela abaixo. A verificação destes requisitos deve ser através de ensaio de fogo (ver Anexo B).

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Se o LGE for adequado para o uso com água salgada, a dosagem para uso com água doce e água salgada deve ser igual. A verificação deste requisito deve ser através de ensaio de fogo (ver Anexo B). Quando for acordada entre consumidor e fornecedor a possibilidade de mistura de LGE de diferentes origens, no mínimo deve ser realizado o ensaio de miscibilidade, conforme Anexo C.

A embalagem do LGE deve conter no mínimo as seguintes informações: fabricante; classe(s) do LGE, seguida da indicação de uso: HC – para a extinção de incêndios em hidrocarbonetos; AV – utilização em aeroportos, para a extinção de incêndios em hidrocarbonetos; AR – para a extinção de incêndios em álcool ou outros solventes polares; tipo do LGE conforme tabela acima; dosagem de uso especificada pelo fabricante (em porcentagem); faixa de temperatura recomendada para armazenamento (em graus Celsius); inscrição: “uso indicado com água doce e água salgada” ou “uso não indicado com água salgada”; número desta norma; lote e data de fabricação; volume (em litros) e peso bruto (em quilogramas).

O peso é uma força e é expressa em newtons (N). Massa é expressa em quilogramas, entretanto, para fins comerciais, no contexto da embalagem e documentos fiscais, admite-se que seja utilizada a expressão “peso bruto”, expressa em quilogramas. A ficha de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ), conforme NBR 14725, deve ser fornecida com o LGE.

O usuário deve analisar o desempenho do LGE ao longo de sua vida útil projetada, por meio de ensaios periódicos, conforme Anexo D. O LGE armazenado, seja em tanques, viaturas ou embalagens com lacre original, pode sofrer deterioração e alteração de suas propriedades, incluindo a sua capacidade de extinção. Certos elementos aceleram este processo: temperatura, revestimentos, materiais de tanques e contaminações diversas.

Desta forma, há a necessidade de ensaios periódicos do LGE, a fim de avaliar o seu desempenho ao longo de sua vida útil projetada. A vida útil projetada do LGE é indeterminada. O LGE, aprovado nos ensaios periódicos, pode ser mantido em uso, mesmo que, por exemplo, ele tenha sido fabricado há 10 anos ou mais. A análise periódica aplica-se a todo LGE disponível para os sistemas de combate a incêndio, incluindo o estocado em almoxarifados, de uma empresa ou instituição.

Os ensaios periódicos do LGE devem abranger no mínimo os ensaios laboratoriais de acordo com a tabela abaixo e os ensaios de fogo de acordo com o Anexo B. Deve-se destacar que a escolha do LGE deve ser feita em função dos tipos de combustíveis líquidos e dos equipamentos proporcionadores, geralmente disponíveis para prover dosagens de 1 %, 3 % ou 6 % de LGE.

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É importante verificar se a dosagem de uso do LGE é compatível com os equipamentos a serem utilizados, por exemplo, para o uso de LGE 1%, os equipamentos devem estar dimensionados para esta dosagem. Os parâmetros de ensaio utilizados nesta norma, tais como taxa de aplicação e tempo de aplicação, são intencionalmente baixos, com o propósito de avaliar o desempenho de um LGE nos limites críticos de aplicação, portanto não podem ser utilizados no dimensionamento de sistemas.

Em projetos de sistemas de espuma, as taxas e tempos de aplicação são relativamente maiores devido aos coeficientes de segurança empregados. A estocagem e o manuseio do LGE devem ser conforme recomendações do fabricante. A eficácia do combate ao fogo é função de vários fatores, entre os quais o LGE e os equipamentos que geram e aplicam a espuma na superfície do líquido em chamas.

Os equipamentos ou o sistema de espuma devem ser inspecionados por pessoal qualificado, no mínimo uma vez por ano, para garantir a sua adequada operação. A dosagem adequada durante condições normais de operação é fundamental, considerando-se que: uma dosagem menor que a nominal compromete a eficácia do combate; uma dosagem maior que a tolerada também compromete a eficácia do combate, aumentando o gasto de LGE e, consequentemente, o tempo de aplicação disponível.

A dosagem de LGE em condições normais de operação deve ser no mínimo igual ao valor nominal e no máximo 30 % acima do valor nominal ou 1 ponto percentual acima do valor nominal, o que for menor. As tolerâncias são baseadas na NFPA 11. A verificação da dosagem deve ser realizada utilizando-se o método do refratômetro (ver NFPA 11).

 

19/06/2019 – Equipe Target

NBR ISO 12100 de 12/2013: a apreciação e a redução de riscos em máquinas

Na operação das máquinas pode haver ferimentos de várias maneiras. As pessoas podem ser atingidas e feridas por partes móveis ou material ejetado e partes do corpo também podem ser puxadas ou presas entre rolos, correias e polias. As bordas pontiagudas podem causar cortes e lesões, peças pontiagudas podem causar furos ou perfurações na pele, e partes ásperas da superfície podem causar fricção ou abrasão.

Os trabalhadores podem ser esmagados, tanto entre peças que se movem juntas ou em direção a uma parte fixa da máquina, parede ou outro objeto, e duas partes passando uma pela outra podem causar cisalhamento. Partes da máquina, materiais e emissões (como vapor ou água) podem estar quentes ou frios o suficiente para causar queimaduras ou escaldões, e a eletricidade pode causar choque elétrico e queimaduras. As lesões também podem ocorrer devido ao fato de as máquinas não serem confiáveis e desenvolverem falhas ou quando as máquinas são usadas de forma inadequada por meio de inexperiência ou falta de treinamento.

Deve-se verificar, antes de operar a máquina, se ela está completa, com todas as proteções instaladas e sem defeitos. O termo salvaguarda inclui proteções, intertravamentos, controles bimanuais, protetores de luz, tapetes sensíveis à pressão, etc. Por lei, o fornecedor deve fornecer as garantias certas e informar os compradores de quaisquer riscos que os usuários precisam estar cientes.

Observe também os riscos residuais identificados pelo fabricante nas informações/instruções fornecidas com a máquina e certifique-se de que elas estejam incluídas no sistema de segurança do trabalho. Certifique-se de que todas as máquinas estáticas tenham sido instaladas corretamente e estejam estáveis (geralmente fixas). Escolha a máquina certa para o trabalho e não coloque máquinas onde os clientes ou visitantes possam estar expostos a riscos.

Além disso, certifique-se de identificar e lidar com os riscos de: fontes de alimentação elétrica, hidráulica ou pneumática salvaguardas mal projetadas. Estes podem ser inconvenientes de usar ou facilmente substituídos, o que poderia encorajar seus funcionários a se arriscarem a ferimentos e violarem a lei. Se estiverem, descubra por que estão fazendo isso e tome as medidas apropriadas para lidar com as razões/causas.

Use proteções fixas (por exemplo, presas com parafusos ou porcas e parafusos) para prender as peças perigosas, sempre que possível. Use o melhor material para essas proteções – o plástico pode ser fácil de ver, mas pode ser facilmente danificado. Onde você usa malha de arame ou materiais similares, certifique-se de que os orifícios não sejam grandes o suficiente para permitir o acesso a partes móveis.

Se as proteções fixas não forem práticas, use outros métodos, por exemplo, intertravar a proteção de modo que a máquina não possa ser iniciada antes que a proteção seja fechada e não possa ser aberta enquanto a máquina ainda estiver em movimento. Em alguns casos, sistemas de disparo, como dispositivos fotoelétricos, tapetes sensíveis à pressão ou proteções automáticas, podem ser usados se outras proteções não forem práticas. Deve-se controlar qualquer risco remanescente, fornecendo ao operador as informações necessárias, instrução, treinamento, supervisão e equipamento de segurança apropriado

A NBR ISO 12100 de 12/2013 – Segurança de máquinas — Princípios gerais de projeto — Apreciação e redução de riscos especifica a terminologia básica, princípios e uma metodologia para obtenção da segurança em projetos de máquinas. Ela especifica princípios para apreciação e redução de riscos que auxiliam projetistas a alcançar tal objetivo. Estes princípios são baseados no conhecimento e experiência de projetos, uso, incidentes, acidentes e riscos associados a máquinas.

Os procedimentos são descritos para auxiliar na identificação de perigos, assim como na estimativa e avaliação de riscos relativos a todas as fases da vida útil da máquina, além de auxiliar na eliminação dos perigos ou prover sufi ciente redução do risco. São fornecidas orientações para documentação e verificação do processo de apreciação e redução de riscos. Também deve ser utilizada como base para elaboração de normas de segurança tipo B ou tipo C.

Não considera riscos ou danos relacionados a animais domésticos, bens ou ao meio ambiente. O Anexo B oferece, por meio de tabelas distintas, exemplos de perigos, situações perigosas e eventos perigosos, de modo a ilustrar tais conceitos e auxiliar o projetista no processo de identificação de perigos. A aplicação de diversos métodos para cada etapa da apreciação de riscos é descrita na ISO/TR 14121-2.

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Quais os aspectos a serem considerados durante a estimativa de risco?

Existem medidas de segurança e de proteção complementares?

Quais as medidas de segurança inerentes ao projeto de máquinas?

Como fazer a redução de risco?

Exemplos de perigos.

Uma representação esquemática de uma máquina.

Como pode ser feita a estimativa de riscos em máquinas?

Como deve ser a documentação que acompanha a máquina?

Quais as medidas para acesso seguro às máquinas?

Quais os elementos de risco?

Esta norma foi elaborada para auxiliar os projetistas, os fabricantes e quaisquer pessoas, ou organismos interessados, a interpretarem as exigências essenciais de segurança de máquinas no âmbito do Mercosul. A metodologia adotada prevê o estabelecimento de uma hierarquia no processo de elaboração de normas, dividido em diversas categorias, para evitar a repetição de tarefas e para criar uma lógica que permita um trabalho rápido, facilitando a referência cruzada entre estas.

As normas do tipo A (normas fundamentais de segurança) definem com rigor conceitos fundamentais, princípios de concepção e aspectos gerais válidos para todos os tipos de máquinas. As normas do tipo B (normas de segurança relativas a um grupo) tratam de um aspecto ou de um tipo de dispositivo condicionador de segurança, aplicáveis a uma gama extensa de máquinas, sendo: as normas do tipo B1 sobre aspectos particulares de segurança (por exemplo, distâncias de segurança, temperatura de superfície, ruído); e as normas do tipo B2 sobre dispositivos condicionadores de segurança (por exemplo, comandos bimanuais, dispositivos de intertravamento, dispositivos sensíveis à pressão, proteções). As normas do tipo C (normas de segurança por categoria de máquinas) dão prescrições detalhadas de segurança aplicáveis a uma máquina em particular ou a um grupo de máquinas.

Esta Norma é considerada do tipo A. Quando uma norma do tipo C deriva uma ou mais disposições tratadas por esta norma ou por uma norma do tipo B, a norma tipo C tem precedência. Recomenda-se que esta norma seja incorporada em cursos de formação e em manuais destinados a transmitir aos projetistas a terminologia básica e os princípios gerais de projeto. O Guia ISO/IEC 51 foi levado em consideração, na medida do possível, no momento da elaboração desta norma.

Para executar a apreciação de riscos e, consequentemente, a redução destes, o projetista deve levar em consideração as seguintes etapas: determinação dos limites da máquina, considerando seu uso devido, bem como quaisquer formas de mau uso razoavelmente previsíveis; identificação dos perigos e situações perigosas associadas; estimativa do risco para cada perigo ou situação perigosa; avaliação do risco e tomada de decisão quanto à necessidade de redução de riscos; eliminação do perigo ou redução de risco associado ao perigo por meio de medidas de proteção. Algumas etapas compõem o processo de apreciação de riscos, enquanto outras etapas, o processo de redução de riscos.

A apreciação de riscos é um processo composto por uma série de etapas que permite, de forma sistemática, analisar e avaliar os riscos associados à máquina. A apreciação de riscos é seguida, sempre que necessário, pela redução de riscos. A iteração deste processo pode ser necessária para eliminar o máximo de perigos possíveis, assim como, reduzir adequadamente os riscos por meio da implementação de medidas de proteção.

Assume-se que, quando presente em uma máquina, um perigo irá, cedo ou tarde, levar a um dano se medidas de proteção ou outras medidas não forem implementadas. Alguns exemplos de perigos são apresentados no Anexo B. As medidas de proteção são a combinação de medidas implementadas pelo projetista e pelo usuário, conforme figura abaixo. As medidas que podem ser incorporadas durante o projeto da máquina são preferíveis em relação às implementadas pelo usuário e usualmente comprovam maior efetividade.

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O objetivo a ser atingido é a melhor redução de risco possível, levando-se em consideração os quatro fatores mencionados a seguir. A estratégia definida nesse parágrafo está representada pelo fluxograma da figura abaixo. O processo em si é iterativo, e diversas sucessivas aplicações deste podem ser necessárias para se reduzir o risco, fazendo-se o melhor uso das tecnologias disponíveis. Para conduzir este processo, é necessário levar em consideração estes quatro fatores, na seguinte ordem de preferência: a segurança da máquina durante todas as fases do seu ciclo de vida; a capacidade da máquina de executar suas funções; a operacionalidade da máquina; os custos de fabricação, operação e desmontagem da máquina.

A aplicação ideal destes princípios requer conhecimento do uso da máquina, o histórico de acidentes, registros de doenças ocupacionais, técnicas de redução de riscos disponíveis e a legislação vigente em que o uso da máquina se enquadra. O projeto da máquina, ainda que aceitável em certo momento, pode não ser mais justificado, na medida em que o desenvolvimento tecnológico possa permitir um projeto equivalente que ofereça menor risco.

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A apreciação de riscos compreende várias etapas (ver figura acima). A análise de riscos que, por sua vez, compreende: determinação dos limites da máquina (ver 5.3), identificação dos perigos (ver 5.4 e Anexo B), e estimativa dos riscos (ver 5.5), e avaliação de riscos (ver 5.6). A análise de risco oferece informações necessárias para a avaliação dos riscos, a qual permite que se façam os julgamentos quanto à necessidade ou não de redução destes.

Estes julgamentos devem ser suportados por uma estimativa de risco qualitativa ou, quando apropriado, quantitativa, associada aos perigos presentes na máquina. A abordagem quantitativa pode ser apropriada quando há dados válidos disponíveis. Entretanto, uma abordagem quantitativa está restrita aos dados válidos e/ou às limitações dos recursos dos que conduzem a apreciação de riscos.

Além disso, em muitas aplicações, será possível apenas elaborar a estimativa de riscos qualitativa. A apreciação de riscos deve ser documentada conforme a Seção 7. As informações para a apreciação de riscos devem incluir vários aspectos. Relativos à descrição da máquina: especificações de uso; especificações antecipadas da máquina, incluindo descrição das diversas fases de todo o ciclo de vida da máquina, desenhos estruturais ou outros meios que estabeleçam a natureza da máquina, e fontes de energia necessárias e como são supridas. Incluir ainda os documentos de projetos anteriores de máquinas similares, se relevantes; as informações para o uso da máquina, se disponível.

Relativos às regulamentações, normas e a outros documentos aplicáveis: regulamentações aplicáveis; normas relevantes; especificações técnicas relevantes; folhas de dados de segurança relevantes. Relativos à experiência de uso: algum acidente, incidente ou histórico de mau funcionamento da máquina em análise ou de máquinas similares; histórico de danos causados à saúde resultantes, por exemplo, de emissões (ruído, vibração, poeira, fumos, etc.), produtos químicos utilizados ou materiais processados pela máquina; a experiência de usuários de máquinas similares e, sempre que aplicável, uma troca de informações com usuários potenciais.

Um incidente que tenha resultado em dano pode ser referido como um acidente, assim como um incidente que tenha ocorrido, mas que não tenha resultado em um dano, pode ser referido como um quase acidente ou ocorrência perigosa. Outro aspecto são os princípios ergonômicos relevantes em que a informação deve ser atualizada na medida em que o projeto é desenvolvido ou quando modificações na máquina são requeridas.

As comparações entre situações perigosas similares associadas a diferentes tipos de máquinas são geralmente possíveis, desde que haja informações sufi cientes sobre os perigos e circunstâncias de acidentes disponíveis para essas situações. A ausência de um histórico de acidentes, um número pequeno de acidentes ou uma menor gravidade nos acidentes não podem conduzir à presunção de um baixo risco.

Para uma análise qualitativa, dados provenientes de registros, manuais, especificações de laboratórios ou fabricantes devem ser utilizados, desde que os dados disponibilizados sejam confiáveis. Incertezas associadas a esses dados devem ser indicadas na documentação (ver Seção 7). Pessoas que possuem uma noção muito pequena dos perigos da máquina ou dos procedimentos de segurança, como visitantes ou pessoas do público em geral, incluindo crianças.

A apreciação de riscos começa a partir da determinação dos limites da máquina, levando-se em consideração todas as fases do ciclo de vida desta. Isto significa que as características e o desempenho de uma máquina ou de uma série de máquinas integradas em um processo, as pessoas, ambiente e produtos relacionados a ela devem ser identificados nos termos dos limites da máquina. Os limites de uso incluem o uso devido da máquina bem como as formas de mau uso razoavelmente previsíveis.

Os aspectos a serem levados em consideração incluem: os diferentes modos de operação e diferentes procedimentos de intervenção para os usuários, incluindo intervenções exigidas pela má utilização da máquina; o uso da máquina (por exemplo, industrial, não industrial e doméstico) por pessoas identificadas por gênero, idade, mão de uso dominante, ou habilidades físicas limitadas (visual, incapacidade auditiva, tamanho, força, etc.); os níveis antecipados de treinamento, experiência ou habilidade do usuário, incluindo operadores, equipe de manutenção ou técnicos, aprendizes e treinandos, e público em geral.

Levar em consideração a exposição de outras pessoas aos perigos associados à máquina, quando isto possa ser razoavelmente previsto: pessoas que provavelmente possuem uma boa noção dos perigos específicos, como operadores de máquinas adjacentes; pessoas que provavelmente possuem uma pouca noção dos perigos específicos, mas que provavelmente têm conhecimento dos procedimentos de segurança do local, rotas autorizadas etc., como pessoal de administração; pessoas que possuem uma noção muito pequena dos perigos da máquina ou dos procedimentos de segurança, como visitantes ou pessoas do público em geral, incluindo crianças.

Caso informações específicas já descritas não estejam disponíveis, o fabricante deve levar em consideração informações gerais sobre a população usuária (por exemplo, dados antropométricos apropriados). Os aspectos a serem considerados para determinação dos limites de espaço incluem cursos de movimento, espaços destinados a pessoas que interagem com a máquina, tanto em operação como em manutenção, interação humana tal como a interface homem-máquina, e conexão da máquina com as fontes de suprimento de energia.

Os aspectos a serem considerados para determinação dos limites de tempo incluem a vida útil da máquina e/ou de alguns de seus componentes (ferramental, partes que podem se desgastar, componentes eletromecânicos, etc.) levando-se em consideração o uso devido da máquina e mau uso razoavelmente previsível, e os intervalos de serviço recomendados. Exemplos de outros limites incluem as propriedades do (s) material (is) a ser (em) processado (s), limpeza e organização — o nível de limpeza exigido, e meio ambiente — as condições máximas e mínimas de temperatura recomendadas, possibilidade de operação da máquina em ambientes externos ou internos, clima seco ou úmido, incidência direta da luz solar, tolerância à poeira e líquidos, etc.

FONTE: Equipe Target