A redução dos riscos em maquinas

Publicado: junho 20, 2019 em Segurança do Trabalho

 

19/06/2019 – Equipe Target

NBR ISO 12100 de 12/2013: a apreciação e a redução de riscos em máquinas

Na operação das máquinas pode haver ferimentos de várias maneiras. As pessoas podem ser atingidas e feridas por partes móveis ou material ejetado e partes do corpo também podem ser puxadas ou presas entre rolos, correias e polias. As bordas pontiagudas podem causar cortes e lesões, peças pontiagudas podem causar furos ou perfurações na pele, e partes ásperas da superfície podem causar fricção ou abrasão.

Os trabalhadores podem ser esmagados, tanto entre peças que se movem juntas ou em direção a uma parte fixa da máquina, parede ou outro objeto, e duas partes passando uma pela outra podem causar cisalhamento. Partes da máquina, materiais e emissões (como vapor ou água) podem estar quentes ou frios o suficiente para causar queimaduras ou escaldões, e a eletricidade pode causar choque elétrico e queimaduras. As lesões também podem ocorrer devido ao fato de as máquinas não serem confiáveis e desenvolverem falhas ou quando as máquinas são usadas de forma inadequada por meio de inexperiência ou falta de treinamento.

Deve-se verificar, antes de operar a máquina, se ela está completa, com todas as proteções instaladas e sem defeitos. O termo salvaguarda inclui proteções, intertravamentos, controles bimanuais, protetores de luz, tapetes sensíveis à pressão, etc. Por lei, o fornecedor deve fornecer as garantias certas e informar os compradores de quaisquer riscos que os usuários precisam estar cientes.

Observe também os riscos residuais identificados pelo fabricante nas informações/instruções fornecidas com a máquina e certifique-se de que elas estejam incluídas no sistema de segurança do trabalho. Certifique-se de que todas as máquinas estáticas tenham sido instaladas corretamente e estejam estáveis (geralmente fixas). Escolha a máquina certa para o trabalho e não coloque máquinas onde os clientes ou visitantes possam estar expostos a riscos.

Além disso, certifique-se de identificar e lidar com os riscos de: fontes de alimentação elétrica, hidráulica ou pneumática salvaguardas mal projetadas. Estes podem ser inconvenientes de usar ou facilmente substituídos, o que poderia encorajar seus funcionários a se arriscarem a ferimentos e violarem a lei. Se estiverem, descubra por que estão fazendo isso e tome as medidas apropriadas para lidar com as razões/causas.

Use proteções fixas (por exemplo, presas com parafusos ou porcas e parafusos) para prender as peças perigosas, sempre que possível. Use o melhor material para essas proteções – o plástico pode ser fácil de ver, mas pode ser facilmente danificado. Onde você usa malha de arame ou materiais similares, certifique-se de que os orifícios não sejam grandes o suficiente para permitir o acesso a partes móveis.

Se as proteções fixas não forem práticas, use outros métodos, por exemplo, intertravar a proteção de modo que a máquina não possa ser iniciada antes que a proteção seja fechada e não possa ser aberta enquanto a máquina ainda estiver em movimento. Em alguns casos, sistemas de disparo, como dispositivos fotoelétricos, tapetes sensíveis à pressão ou proteções automáticas, podem ser usados se outras proteções não forem práticas. Deve-se controlar qualquer risco remanescente, fornecendo ao operador as informações necessárias, instrução, treinamento, supervisão e equipamento de segurança apropriado

A NBR ISO 12100 de 12/2013 – Segurança de máquinas — Princípios gerais de projeto — Apreciação e redução de riscos especifica a terminologia básica, princípios e uma metodologia para obtenção da segurança em projetos de máquinas. Ela especifica princípios para apreciação e redução de riscos que auxiliam projetistas a alcançar tal objetivo. Estes princípios são baseados no conhecimento e experiência de projetos, uso, incidentes, acidentes e riscos associados a máquinas.

Os procedimentos são descritos para auxiliar na identificação de perigos, assim como na estimativa e avaliação de riscos relativos a todas as fases da vida útil da máquina, além de auxiliar na eliminação dos perigos ou prover sufi ciente redução do risco. São fornecidas orientações para documentação e verificação do processo de apreciação e redução de riscos. Também deve ser utilizada como base para elaboração de normas de segurança tipo B ou tipo C.

Não considera riscos ou danos relacionados a animais domésticos, bens ou ao meio ambiente. O Anexo B oferece, por meio de tabelas distintas, exemplos de perigos, situações perigosas e eventos perigosos, de modo a ilustrar tais conceitos e auxiliar o projetista no processo de identificação de perigos. A aplicação de diversos métodos para cada etapa da apreciação de riscos é descrita na ISO/TR 14121-2.

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Quais os aspectos a serem considerados durante a estimativa de risco?

Existem medidas de segurança e de proteção complementares?

Quais as medidas de segurança inerentes ao projeto de máquinas?

Como fazer a redução de risco?

Exemplos de perigos.

Uma representação esquemática de uma máquina.

Como pode ser feita a estimativa de riscos em máquinas?

Como deve ser a documentação que acompanha a máquina?

Quais as medidas para acesso seguro às máquinas?

Quais os elementos de risco?

Esta norma foi elaborada para auxiliar os projetistas, os fabricantes e quaisquer pessoas, ou organismos interessados, a interpretarem as exigências essenciais de segurança de máquinas no âmbito do Mercosul. A metodologia adotada prevê o estabelecimento de uma hierarquia no processo de elaboração de normas, dividido em diversas categorias, para evitar a repetição de tarefas e para criar uma lógica que permita um trabalho rápido, facilitando a referência cruzada entre estas.

As normas do tipo A (normas fundamentais de segurança) definem com rigor conceitos fundamentais, princípios de concepção e aspectos gerais válidos para todos os tipos de máquinas. As normas do tipo B (normas de segurança relativas a um grupo) tratam de um aspecto ou de um tipo de dispositivo condicionador de segurança, aplicáveis a uma gama extensa de máquinas, sendo: as normas do tipo B1 sobre aspectos particulares de segurança (por exemplo, distâncias de segurança, temperatura de superfície, ruído); e as normas do tipo B2 sobre dispositivos condicionadores de segurança (por exemplo, comandos bimanuais, dispositivos de intertravamento, dispositivos sensíveis à pressão, proteções). As normas do tipo C (normas de segurança por categoria de máquinas) dão prescrições detalhadas de segurança aplicáveis a uma máquina em particular ou a um grupo de máquinas.

Esta Norma é considerada do tipo A. Quando uma norma do tipo C deriva uma ou mais disposições tratadas por esta norma ou por uma norma do tipo B, a norma tipo C tem precedência. Recomenda-se que esta norma seja incorporada em cursos de formação e em manuais destinados a transmitir aos projetistas a terminologia básica e os princípios gerais de projeto. O Guia ISO/IEC 51 foi levado em consideração, na medida do possível, no momento da elaboração desta norma.

Para executar a apreciação de riscos e, consequentemente, a redução destes, o projetista deve levar em consideração as seguintes etapas: determinação dos limites da máquina, considerando seu uso devido, bem como quaisquer formas de mau uso razoavelmente previsíveis; identificação dos perigos e situações perigosas associadas; estimativa do risco para cada perigo ou situação perigosa; avaliação do risco e tomada de decisão quanto à necessidade de redução de riscos; eliminação do perigo ou redução de risco associado ao perigo por meio de medidas de proteção. Algumas etapas compõem o processo de apreciação de riscos, enquanto outras etapas, o processo de redução de riscos.

A apreciação de riscos é um processo composto por uma série de etapas que permite, de forma sistemática, analisar e avaliar os riscos associados à máquina. A apreciação de riscos é seguida, sempre que necessário, pela redução de riscos. A iteração deste processo pode ser necessária para eliminar o máximo de perigos possíveis, assim como, reduzir adequadamente os riscos por meio da implementação de medidas de proteção.

Assume-se que, quando presente em uma máquina, um perigo irá, cedo ou tarde, levar a um dano se medidas de proteção ou outras medidas não forem implementadas. Alguns exemplos de perigos são apresentados no Anexo B. As medidas de proteção são a combinação de medidas implementadas pelo projetista e pelo usuário, conforme figura abaixo. As medidas que podem ser incorporadas durante o projeto da máquina são preferíveis em relação às implementadas pelo usuário e usualmente comprovam maior efetividade.

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O objetivo a ser atingido é a melhor redução de risco possível, levando-se em consideração os quatro fatores mencionados a seguir. A estratégia definida nesse parágrafo está representada pelo fluxograma da figura abaixo. O processo em si é iterativo, e diversas sucessivas aplicações deste podem ser necessárias para se reduzir o risco, fazendo-se o melhor uso das tecnologias disponíveis. Para conduzir este processo, é necessário levar em consideração estes quatro fatores, na seguinte ordem de preferência: a segurança da máquina durante todas as fases do seu ciclo de vida; a capacidade da máquina de executar suas funções; a operacionalidade da máquina; os custos de fabricação, operação e desmontagem da máquina.

A aplicação ideal destes princípios requer conhecimento do uso da máquina, o histórico de acidentes, registros de doenças ocupacionais, técnicas de redução de riscos disponíveis e a legislação vigente em que o uso da máquina se enquadra. O projeto da máquina, ainda que aceitável em certo momento, pode não ser mais justificado, na medida em que o desenvolvimento tecnológico possa permitir um projeto equivalente que ofereça menor risco.

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A apreciação de riscos compreende várias etapas (ver figura acima). A análise de riscos que, por sua vez, compreende: determinação dos limites da máquina (ver 5.3), identificação dos perigos (ver 5.4 e Anexo B), e estimativa dos riscos (ver 5.5), e avaliação de riscos (ver 5.6). A análise de risco oferece informações necessárias para a avaliação dos riscos, a qual permite que se façam os julgamentos quanto à necessidade ou não de redução destes.

Estes julgamentos devem ser suportados por uma estimativa de risco qualitativa ou, quando apropriado, quantitativa, associada aos perigos presentes na máquina. A abordagem quantitativa pode ser apropriada quando há dados válidos disponíveis. Entretanto, uma abordagem quantitativa está restrita aos dados válidos e/ou às limitações dos recursos dos que conduzem a apreciação de riscos.

Além disso, em muitas aplicações, será possível apenas elaborar a estimativa de riscos qualitativa. A apreciação de riscos deve ser documentada conforme a Seção 7. As informações para a apreciação de riscos devem incluir vários aspectos. Relativos à descrição da máquina: especificações de uso; especificações antecipadas da máquina, incluindo descrição das diversas fases de todo o ciclo de vida da máquina, desenhos estruturais ou outros meios que estabeleçam a natureza da máquina, e fontes de energia necessárias e como são supridas. Incluir ainda os documentos de projetos anteriores de máquinas similares, se relevantes; as informações para o uso da máquina, se disponível.

Relativos às regulamentações, normas e a outros documentos aplicáveis: regulamentações aplicáveis; normas relevantes; especificações técnicas relevantes; folhas de dados de segurança relevantes. Relativos à experiência de uso: algum acidente, incidente ou histórico de mau funcionamento da máquina em análise ou de máquinas similares; histórico de danos causados à saúde resultantes, por exemplo, de emissões (ruído, vibração, poeira, fumos, etc.), produtos químicos utilizados ou materiais processados pela máquina; a experiência de usuários de máquinas similares e, sempre que aplicável, uma troca de informações com usuários potenciais.

Um incidente que tenha resultado em dano pode ser referido como um acidente, assim como um incidente que tenha ocorrido, mas que não tenha resultado em um dano, pode ser referido como um quase acidente ou ocorrência perigosa. Outro aspecto são os princípios ergonômicos relevantes em que a informação deve ser atualizada na medida em que o projeto é desenvolvido ou quando modificações na máquina são requeridas.

As comparações entre situações perigosas similares associadas a diferentes tipos de máquinas são geralmente possíveis, desde que haja informações sufi cientes sobre os perigos e circunstâncias de acidentes disponíveis para essas situações. A ausência de um histórico de acidentes, um número pequeno de acidentes ou uma menor gravidade nos acidentes não podem conduzir à presunção de um baixo risco.

Para uma análise qualitativa, dados provenientes de registros, manuais, especificações de laboratórios ou fabricantes devem ser utilizados, desde que os dados disponibilizados sejam confiáveis. Incertezas associadas a esses dados devem ser indicadas na documentação (ver Seção 7). Pessoas que possuem uma noção muito pequena dos perigos da máquina ou dos procedimentos de segurança, como visitantes ou pessoas do público em geral, incluindo crianças.

A apreciação de riscos começa a partir da determinação dos limites da máquina, levando-se em consideração todas as fases do ciclo de vida desta. Isto significa que as características e o desempenho de uma máquina ou de uma série de máquinas integradas em um processo, as pessoas, ambiente e produtos relacionados a ela devem ser identificados nos termos dos limites da máquina. Os limites de uso incluem o uso devido da máquina bem como as formas de mau uso razoavelmente previsíveis.

Os aspectos a serem levados em consideração incluem: os diferentes modos de operação e diferentes procedimentos de intervenção para os usuários, incluindo intervenções exigidas pela má utilização da máquina; o uso da máquina (por exemplo, industrial, não industrial e doméstico) por pessoas identificadas por gênero, idade, mão de uso dominante, ou habilidades físicas limitadas (visual, incapacidade auditiva, tamanho, força, etc.); os níveis antecipados de treinamento, experiência ou habilidade do usuário, incluindo operadores, equipe de manutenção ou técnicos, aprendizes e treinandos, e público em geral.

Levar em consideração a exposição de outras pessoas aos perigos associados à máquina, quando isto possa ser razoavelmente previsto: pessoas que provavelmente possuem uma boa noção dos perigos específicos, como operadores de máquinas adjacentes; pessoas que provavelmente possuem uma pouca noção dos perigos específicos, mas que provavelmente têm conhecimento dos procedimentos de segurança do local, rotas autorizadas etc., como pessoal de administração; pessoas que possuem uma noção muito pequena dos perigos da máquina ou dos procedimentos de segurança, como visitantes ou pessoas do público em geral, incluindo crianças.

Caso informações específicas já descritas não estejam disponíveis, o fabricante deve levar em consideração informações gerais sobre a população usuária (por exemplo, dados antropométricos apropriados). Os aspectos a serem considerados para determinação dos limites de espaço incluem cursos de movimento, espaços destinados a pessoas que interagem com a máquina, tanto em operação como em manutenção, interação humana tal como a interface homem-máquina, e conexão da máquina com as fontes de suprimento de energia.

Os aspectos a serem considerados para determinação dos limites de tempo incluem a vida útil da máquina e/ou de alguns de seus componentes (ferramental, partes que podem se desgastar, componentes eletromecânicos, etc.) levando-se em consideração o uso devido da máquina e mau uso razoavelmente previsível, e os intervalos de serviço recomendados. Exemplos de outros limites incluem as propriedades do (s) material (is) a ser (em) processado (s), limpeza e organização — o nível de limpeza exigido, e meio ambiente — as condições máximas e mínimas de temperatura recomendadas, possibilidade de operação da máquina em ambientes externos ou internos, clima seco ou úmido, incidência direta da luz solar, tolerância à poeira e líquidos, etc.

FONTE: Equipe Target

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