Arquivo de maio, 2014

 

 

Quando se trata de chefes, qual é o limite da falta de flexibilidade?

Em uma época onde o padrão no ambiente de trabalho é de cooperação e consenso, ser um líder intransigente é mais arriscado do que costumava ser, de acordo com executivos e pesquisadores sobre liderança.

A repentina demissão este mês da editora executiva do jornal americano “New York Times”, Jill Abramson — que tinha fama de ser uma gestora direta e dura —, alimentou discussões sobre o quanto um líder moderno deve suavizar seu estilo para ser eficaz.

Cerca de 20 anos atrás, chefes implacáveis como o ex-presidente do conselho da Sunbeam Corp., Albert Dunlap, conhecido como “Motosserra Al”, administravam empresas sem nunca suavizar suas ações. Hoje, tais táticas devem ser adotadas com cautela, diz Robert Sutton, professor da Universidade de Stanford e autor de livros sobre o relacionamento entre patrões e empregados como “The No A—hole Rule: Building a Civilized Workplace and Surviving One That Isn′t”(“Sem regra idiota: Construindo um ambiente de trabalho civilizado e sobrevivendo a um que não é”, em tradução livre) e “Bom chefe, mau chefe – Como ser o melhor e aprender com o que há de pior” (editado no Brasil pela Editora Bookman).

“Entre os gestores de nível médio, [ser agressivo] provavelmente é útil para alavancar sua carreira, mas você precisa desenvolver sua personalidade à medida que fica um pouco mais velho”, diz Jim Lillie, diretor-presidente do conglomerado Jarden Corp., cujas marcas incluem a Mr. Coffee, Crock-Pot e os equipamentos para camping Coleman.

Os chefes também têm que estar cientes que seus papéis são cada vez mais públicos, com as redes sociais e as comunicações eletrônicas expondo questões que antes ficavam dentro da empresa, diz Sir Martin Sorrell, diretor-presidente da agência de publicidade WPP PLC, com sede em Londres. “Agora, tudo o que você escreve, tudo o que você diz, você tem que pensar para que não vá parar na capa do The Wall Street Journal.”

Depois que o diretor-presidente da AOL, Tim Armstrong, demitiu um subordinado durante uma teleconferência em agosto passado com uma unidade empresa, a Patch, uma gravação em áudio foi rapidamente disponibilizada on-line, gerando revolta contra a demissão. Armstrong depois pediu desculpas sobre a forma como demitiu o funcionário, ressaltando as “situações difíceis” que surgem quando se promove a reestruturação de uma companhia.

Em outro incidente, este ano, Armstrong citou o custo com “bebês estressados” como um fator das mudanças no plano 401 (k) da AOL e provocou controvérsia, desculpas públicas e uma reversão das mudanças. Um porta-voz da AOL não quis comentar nem disponibilizar Armstrong para conceder uma entrevista.

Paradoxalmente, os trabalhadores afirmam que valorizam a gentileza em seus chefes, mas preferem, contudo, líderes que os desafiam.

Uma pesquisa realizada em setembro pela empresa de gestão Kronos Inc. descobriu que 40% dos entrevistados listaram “compaixão” como um dos mais importantes atributos de um bom gestor.

Quando questionados sobre escolher entre um chefe exigente e com alto grau de realização e outro gentil, mas ineficaz, 75% optaram pelo primeiro.

Alguns líderes, como o ex-diretor-presidente da General Electric Co., Jack Welch, cultivaram uma reputação de inflexibilidade. Welch ganhou o apelido de “Nêutron Jack” no início dos anos 80 por transferir para fora dos Estados Unidos algumas operações e demitir milhares de trabalhadores.

Mas Welch equilibrava sua fúria com justiça, respondendo a questões de trabalhadores de todos os níveis durante reuniões e promovendo rapidamente aqueles com melhor desempenho independentemente da idade, diz Sydney Finkelstein, professor de gestão na Faculdade de Administração Tuck, do Dartmouth College.

No “New York Times”, as razões específicas da demissão de Abramson permanecem obscuras. Em nota, o editor Arthur Sulzberger Jr. citou “decisões arbitrárias, falta de consulta aos colegas, comunicação inadequada e tratamento desrespeitoso de colegas em público”. Abramson não pôde ser encontrada para comentar.

Daniel Hamburger, que supervisiona cerca de 14.000 funcionários como diretor-presidente do DeVry Education Group, diz que hoje não existe mais espaço para autoritarismo nas empresas. “Existe muito mais necessidade de genuinidade, autenticidade e respeito.”

Sutton, de Stanford, descreve dois tipos de “idiotas” no mundo empresarial: aqueles que humilham e desmotivam os colegas e aqueles que colocam suas próprias necessidades acima das da companhia.

Quando os chefes precisam que as coisas sejam feitas, gritar ou olhar irritado para os subordinados pode ser a coisa certa fazer, dependendo da cultura da empresa, e isso está entre o “leque de técnicas que você pode usar como gestor”, diz Sutton.

Mas algumas companhias estão se posicionando formalmente contra os idiotas. O diretor-presidente do Netflix Inc., Reed Hastings, afirmou que a empresa não precisa de “idiotas brilhantes” em uma apresentação publicada on-line. Segundo ele, o “custo efetivo para a equipe é muito elevado”.

Uma pesquisa realizada por Victoria Brescoll, professora assistente de comportamento organizacional da Faculdade de Administração da Universidade Yale, mostra que mulheres furiosas no ambiente de trabalho são percebidas mais negativamente que os homens. Carly Fiorina, que foi diretora-presidente da Hewlett-Packard Co. por seis anos e liderou uma fusão controversa com a Compaq Computer Corp., diz que as mulheres que ocupam cargos de liderança são mais criticadas que os homens. “O que é considerado como ′apropriadamente exigente′ em um homem é interpretado como rude em uma mulher”, diz ela.

Fonte: The Wall Street Journal, 28.05.2014
 

 

Os números chineses são, quase sempre, maiúsculos. No caso da mineração de carvão o número de mortes é assustador.

Em 2004 morreram 136.700 mineiros e em 2013 esse número caiu quase 50% para 69.000. Ou seja, a cada 53.000 toneladas de carvão lavradas morre um mineiro na China. Esse número é simplesmente absurdo e retrata a baixíssima qualidade e segurança das minas chinesas de carvão.

Não é a toa que o governo chinês está fechando milhares de minas de carvão em todo o país. Muitas dessas “minas” não passam de pequenos garimpos, geralmente coordenados por uma família. Elas não usam tecnologia e conceitos avançados. Daí o elevado número de problemas.

Em decorrência deste cenário perturbador mais de 2.000 minas de carvão serão fechadas até 2015.

Mesmo assim ainda restarão mais de 10.000 minas em operação.

A política governamental está causando efeito e, até o dia 20 de maio, foi registrada uma queda de 19% no número de mortes que estavam, então, contabilizadas em “apenas” 319.

Fonte: site Geólogo

COAL MINE FATALITY – On Monday, May 12, 2014, a 48-year-old continuous mining machine operator with 26 years of mining experience, and a 46-year-old mobile roof support operator/roof bolter with 3½ years of mining experience, were fatally injured as a result of a coal rib burst.  The section crew was retreat mining in the #6 entry of the 4 East Mains Panel.  They were mining the second lift of the left pillar block when the accident occurred.

 

 

http://www.msha.gov/FATALS/2014/FAB14c0405.asp

 

Fonte: Jornal O Tempo 18/05/2014

Curitiba.Dois trabalhadores morreram soterrados em um silo de armazenagem de soja na cidade de Assis Chateaubriand, no oeste do Paraná. De acordo com o Corpo de Bombeiros, eles acompanhavam o fim do escoamento dos grãos que estavam sendo despejados em caminhões, na tarde de anteontem, quando foram “engolidos” por, aproximadamente, dez toneladas do produto.

“Quando a soja está sendo escoada por aberturas na parte debaixo do silo, os grãos ficam como se fossem areia movediça” explicou o responsavel pelo Bombeiro Comunitario da cidade, Uvaldo Bueno do Prado Junior.

a retirada dos corpos de Raimundo Nonato dos Santos,43,e Alcides Jose da Silva,59,levou cerca de sete horas. O sepultamento dos trabalhadores ocorreu ontem em Assis Chateaubriand. Ate a publicação desta reportagem, os representantes do silo não haviam sido encontrados para comentar o acidente.

          

A polícia turca prendeu 24 pessoas pela explosão em uma mina de carvão em Soma, no leste do país.

Entre os detidos, estão o gerente geral da mina, Ramazan Dogru, e seu gerente de operações, Akin Celik, segundo a agência de notícias turca Dogan.

Eles estão sendo interrogados pela polícia para apurar os responsáveis pela morte de 301 operários.

Muzaffer Yildirim, um mineiro que perdeu o irmão na tragédia, disse à BBC que os gerentes são responsáveis pelo desastre e “devem ser punidos”.

Responsável pela operação da mina, a Soma Holding nega as acusações de negligência.

A companhia afirma que um inesperado superaquecimento no interior da mina causou seu desmoronamento na última quinta-feira.

Manifestações

Protestos vêm ocorrendo diariamente desde a explosão.

Na sexta-feira, a polícia entrou em confronto com manifestantes em Soma, que não só acusam a Soma Holding de ignorar as más condições de trabalho como também ao primeiro-ministro Tayyip Erdogan por ter se comportado de forma “insensível” à tragédia.

Agora, as manifestações estão proibidas em Soma, mas isso não impediu que centenas de pessoas participassem de passeatas nas cidades de Izmir, Istambul e Ankara, a capital turca, no último sábado.

Ontem, as buscas por sobreviventes foram encerradas, quando os dois últimos corpos foram retirados dos escombros.

Logo em seguida, a entrada da mina foi selada com tijolos pelas autoridades.

Foram localizados 301 corpos na mina.

A jornada de trabalho em atividade insalubre só poderá ser prorrogada mediante licença prévia da autoridade competente em matéria de higiene do trabalho. Com esse fundamento, previsto no artigo 60 da CLT, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho deu provimento ao recurso de um empregado do Frigorífico Marba Ltda. que trabalhava além da jornada fixada contratualmente.

O empregado foi admitido como ajudante de expedição e recebia adicional de insalubridade em grau médio pelo contato diário com frio e ruídos. Trabalhava de domingo a quinta-feira, das 20h às 5h da madrugada, com folgas às sextas e sábados. Alegou, no entanto, que sua jornada sempre ia até às 10 horas do dia seguinte e que, aos domingos, trabalhava das 17h às 10h em horário corrido.

O frigorífico afirmou que o empregado usava o banco de horas para usufruir do descanso pelas horas trabalhadas além da jornada contratual. Destacou que havia acordo coletivo prevendo o banco de horas e que este autorizava a compensação em caso de extrapolação da jornada.

A 6ª Vara do Trabalho de São Bernardo do Campo (SP) deu provimento ao pedido de horas extras por entender que, em caso de trabalho insalubre, a prorrogação da jornada só pode ser pactuada após licença prévia das autoridades em higiene do trabalho, situação que não foi comprovada pela empresa. O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, porém, reformou a sentença para excluir da condenação as horas extras, considerando válido o acordo de compensação de jornada e de banco de horas.

TST

Novo recurso foi interposto, desta vez pelo ajudante de expedição, que foi acolhido pela Quinta Turma do TST. Segundo o relator da matéria, ministro Emmanoel Pereira, o atual entendimento do TST é o de que a prorrogação de jornada em atividade insalubre, mesmo que baseada em acordo de compensação, necessita de autorização do Ministério do Trabalho e Emprego, conforme o artigo 60 da CLT. A decisão, que restaurou a condenação em relação às horas extras, foi unânime.

( RR 2098-87.2010.5.02.0466 )

Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, por Fernanda Loureiro, 16.05.2014

ISTAMBUL – Após o trágico acidente na mina de Soma, o governo turco afirmou que o local foi inspecionado em cinco ocasiões desde 2012, a última em março, sem detecção de problemas de segurança; a empresa Soma Komur Isletmeleri AS, dona da área de exploração, declarou que o acidente ocorreu apesar dos “mais altos controles e medidas de segurança”. Mas todos os discursos e garantias não apagam o fato de que a Turquia continua sendo um dos lugares mais perigosos do mundo para os trabalhadores do setor de mineração.

Em 2012, o país foi considerado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) o terceiro país mais letal para trabalhadores industriais – e o mais inseguro na Europa. Só neste ano, sem contar a tragédia em Soma, 396 turcos morreram no trabalho, sendo 17 menores de idade.

Segundo um estudo da Universidade de Kirikkale, na Turquia, o setor de mineração é o que oferece mais riscos aos funcionários. De acordo com dados da OIT e do governo turco, no ano passado mineiros mortos representaram 10% do total de mortes no trabalho – sendo que eles são apenas 1,3% da mão de obra do país. Pelo menos 1.300 trabalhadores morreram desde 2000, segundo essas fontes. Só no ano passado, 13 mil mineiros se envolveram em acidentes de trabalho, num país em que o carvão responde por 40% da produção de energia elétrica.

O partido CHP, de oposição, acusa o governo de longa data do AKP de ter barrado uma CPI sobre recentes acidentes nas minas da região de Soma. Ao mesmo tempo, o país não põe em prática várias das convenções e acordos internacionais sobre trabalho que assinou, denuncia o presidente da Câmara de Engenheiros de Mineração turca, Ayhan Yüksel.

– A Turquia não adota as normas internacionais. Mesmo se o país assinar uma convenção, o problema vai continuar existindo – disse o engenheiro ao jornal local “Today’s Zaman”. – Nossas leis estão de acordo com as regras internacionais, mas o fato de elas até hoje não terem entrado em vigor continua sendo o principal problema nesse sentido.

Fonte: Agencia O Globo 15/05/2014